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A falsa central do banco ligou por movimentação suspeita, mandou um link e entrou no computador da empresa

Na falsa central, alguém liga como se fosse do banco, fala em movimentação suspeita e manda um link que instala programa no computador e captura as senhas.

Homem de uns cinquenta anos num pequeno escritório de despachante, com prateleiras de pastas ao fundo, falando ao telefone com expressão preocupada diante de um computador de mesa

No golpe da falsa central, alguém liga como se fosse do banco, avisa de uma movimentação suspeita na conta e, para "resolver", convence a vítima a abrir um link ou instalar alguma coisa. Foi assim que um escritório de despachante de Sorocaba teve um prejuízo que deu origem à Operação Rede Oculta, da Polícia Civil, em 6 de agosto de 2026: o link instalou um programa no computador da empresa, que capturou as senhas do banco e deu aos criminosos acesso remoto para fazer transferências.

As informações da polícia foram publicadas pelo Jornal Cruzeiro do Sul e pela Cruzeiro FM, ambos em 6 de agosto de 2026.

O que a Operação Rede Oculta descobriu?

A Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba prendeu três integrantes de uma associação criminosa especializada em golpes financeiros contra estabelecimentos comerciais. Os mandados de prisão e de busca foram cumpridos em Praia Grande, São Vicente, Cubatão, Fortaleza e Manaus, e as prisões ocorreram em Cubatão e Praia Grande. Segundo a Cruzeiro FM, um quarto investigado, apontado como o principal destinatário de parte do dinheiro desviado, está foragido.

A investigação começou depois que um escritório de despachante de Sorocaba registrou um golpe que causou prejuízo significativo. As reportagens não informam o valor nem o banco envolvido.

Como o golpe entrou no computador da empresa?

Segundo a polícia, o empresário recebeu a ligação de um homem que se passou por funcionário de uma instituição financeira e informou sobre uma suposta movimentação suspeita na conta da empresa. Na sequência, ele foi convencido a acessar um link enviado pelos criminosos.

O link instalou um programa malicioso no computador da empresa, que permitiu ao grupo capturar as credenciais bancárias e ter acesso remoto ao sistema. Com isso, os criminosos fizeram transferências sem autorização e distribuíram rapidamente o dinheiro entre diferentes contas, o que dificulta o rastreamento e a identificação dos envolvidos.

Por que o aviso de movimentação suspeita funciona tão bem?

Porque ele coloca a vítima do lado de quem quer proteger o dinheiro. Quem ouve que há algo estranho na conta da empresa não pensa em desconfiar do banco, pensa em agir rápido para evitar o prejuízo, e o golpista aproveita essa pressa para pedir exatamente o que abre a porta: um clique, uma instalação, um acesso.

A Febraban repete que, quando um funcionário do banco liga, ele já tem as informações de que precisa e não pede senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança nem transações para resolver supostos problemas na conta, e um link para instalar alguma coisa cabe nessa mesma lista de pedidos que o banco não faz. No golpe que contamos em o falso gerente que mandou pesquisar o banco no Google, a porta foi uma página falsa. Aqui foi um programa instalado no computador, e o resultado é parecido, com o golpista agindo dentro da conta como se fosse o dono.

O computador do escritório é mais vulnerável que o celular?

Não necessariamente, mas o computador do escritório costuma concentrar o acesso ao banco da empresa, ao e-mail e aos sistemas de gestão, e por isso um programa de acesso remoto instalado nele dá ao golpista muito mais do que uma senha. É o mesmo raciocínio do caso da carga de R$ 1 milhão que explicamos em e-mail corporativo invadido, em que o acesso a um único ponto da empresa deu ao grupo o mapa de como tudo funcionava.

Por isso vale separar funções quando for possível, com o acesso ao banco em aparelho de uso restrito, e combinar com quem trabalha no escritório que ninguém instala nada a pedido de quem ligou, por mais urgente que pareça.

O que fazer agora

Se alguém ligar dizendo ser do banco:

  1. Desligue assim que surgir pedido de link, instalação, código, senha ou transação.
  2. Ligue você mesmo para o banco pelo telefone do verso do cartão, pelo aplicativo ou pela agência.
  3. Não instale nada a pedido de quem ligou, nem programa de "segurança" ou de "suporte".

Se o link já foi aberto:

  1. Tire o computador da internet, desconectando o cabo ou o wi-fi, e não use a máquina para acessar o banco.
  2. Avise o banco pelo canal oficial e peça o bloqueio dos acessos, do aplicativo e das senhas.
  3. Conteste por escrito as transferências não reconhecidas e peça a devolução pelo mecanismo do Pix, quando for o caso.
  4. Registre boletim de ocorrência com data, horário e número da ligação, o link recebido e os extratos.
  5. Leve o computador a um técnico antes de voltar a usá-lo para qualquer coisa ligada ao banco.

Se o golpe começou por uma venda na internet, e não por ligação, veja também o caso do comprador da OLX que mandou um link. Cada caso depende de como o acesso foi obtido e da resposta do banco, e isso merece análise individual.

Perguntas frequentes

O que é o golpe da falsa central do banco?

É quando alguém se passa por funcionário do banco, liga falando de problema na conta, como uma movimentação suspeita, e convence a vítima a passar dados, fazer transações ou abrir um link que dá acesso à conta.

O que foi a Operação Rede Oculta?

Uma operação da Polícia Civil de Sorocaba, em 6 de agosto de 2026, que prendeu três suspeitos de golpes contra estabelecimentos comerciais. Um quarto investigado está foragido.

Banco pede para instalar programa no computador?

A Febraban afirma que os bancos não pedem senhas, atualizações de sistemas nem transações por ligação para resolver problemas na conta. Pedido para instalar programa feito por quem ligou é sinal de golpe, e o caminho é desligar e procurar o banco pelo canal oficial.

Abri o link da falsa central. O que faço primeiro?

Tire o computador da internet, avise o banco pelo canal oficial para bloquear os acessos e registre boletim de ocorrência. Não use a máquina para acessar o banco até ela ser verificada.

O banco devolve o dinheiro de golpe da falsa central?

Depende do caso, de como o acesso aconteceu e de se o banco deveria ter barrado as transferências. A análise é individual e começa pela contestação formal no banco.

Fontes

Conteúdo informativo. Não constitui consulta nem parecer jurídico, e não substitui a análise individual do seu caso. O processo é atividade de meio: nenhuma medida garante resultado específico.

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