O falso gerente mandou pesquisar o banco no Google, e a conta da loja foi invadida em 15 minutos
No golpe do falso gerente, o golpista liga com dados reais da conta e pede para buscar o banco no Google. Gerente de verdade não pede senha nem atualização.

No golpe do falso gerente, alguém liga dizendo ser do seu banco, já sabe dados reais da conta da empresa e, em algum momento, pede uma atualização, um acesso ou uma senha. Foi assim que os donos de um empório em São Bernardo do Campo tiveram a conta da loja invadida no fim de agosto de 2026, depois de seguir a orientação de pesquisar o banco no Google, e a Febraban lembra que nenhum gerente de verdade pede senha, atualização de sistema ou transação para resolver problema na conta.
O caso foi contado pelos próprios comerciantes à TV São Bernardo, em 2 de setembro de 2026, e o comportamento esperado dos bancos está no alerta da Febraban sobre o golpe do falso gerente.
Como o golpe aconteceu na conta do empório?
Segundo a reportagem, os donos do Empório Casinha de Minas, no bairro Paulicéia, receberam no fim de agosto a ligação de alguém que se apresentou como funcionário do Bradesco e disse que ia assumir a conta da empresa no lugar da gerente. O golpista tinha dados da conta, a razão social e o nome da gerente responsável, o que tirou qualquer desconfiança.
Na segunda ligação, em 31 de agosto, veio o pedido. O falso gerente disse que era preciso atualizar a conta e orientou os donos a pesquisar no Google por "Bradesco atualização", com a justificativa de que o procedimento daria acesso a benefícios como capital de giro para a empresa. O endereço encontrado levou a uma página parecida com a do banco, com dados de usuário já preenchidos.
Depois do procedimento, os golpistas entraram na conta da loja, contrataram um empréstimo, fizeram três transferências e usaram todo o limite disponível, tudo em cerca de 15 minutos, segundo o relato. Os donos só descobriram quando ligaram para a gerente de verdade para agradecer pelo atendimento e ouviram dela que continuava responsável pela conta. Eles registraram boletim de ocorrência e aguardavam a resposta do banco.
Por que o golpista pede para buscar o banco no Google?
Porque isso tira do golpista o trabalho de mandar um link, que é o que mais levanta suspeita. Quando a própria vítima digita a busca e clica num resultado, ela sente que chegou ao site sozinha, e a página falsa ganha a credibilidade de ter sido "encontrada" e não recebida.
A reportagem não diz se o resultado clicado era um anúncio pago ou um resultado comum, então não dá para afirmar como a página apareceu na busca. O que o caso mostra é que o pedido em si já é o sinal de alerta, porque quem tem o aplicativo do banco no celular não precisa procurar o banco no Google para fazer nada na própria conta. Já explicamos em como funciona o e-mail falso que ameaça desativar a conta que o golpe moderno quase sempre tenta levar a vítima para uma página copiada, e aqui a lógica é a mesma, só que por telefone.
Como o golpista sabia os dados da conta da empresa?
A reportagem não diz. O que a Febraban descreve é que os golpistas usam engenharia social e, muitas vezes, mascaram o número de origem da ligação para parecer que a chamada vem do banco ou da própria agência. Ter dados reais da conta, a razão social e o nome da gerente é justamente o que faz a ligação parecer legítima, e por isso conhecer esses dados não prova que a pessoa é do banco.
A Febraban afirma que, quando um representante do banco liga, ele já tem as informações de que precisa e não pede dados pessoais, senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança, pagamentos ou estornos. Qualquer um desses pedidos é motivo para encerrar a ligação.
O banco tem que devolver o dinheiro da empresa?
Depende de como o golpe aconteceu e das provas. A Súmula 479 do STJ diz que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias, e isso costuma ser discutido quando o banco deixa passar operações muito fora do padrão da conta, como um empréstimo seguido de várias transferências e do uso de todo o limite em poucos minutos.
Por outro lado, quando o próprio cliente digita a senha numa página falsa, o banco costuma alegar culpa exclusiva da vítima, e a análise passa a olhar os dois lados, inclusive se o sistema de segurança do banco deveria ter barrado o que aconteceu. Não existe resposta pronta, e cada caso depende dos extratos, do registro das ligações e da resposta que o banco der ao pedido de contestação.
O que fazer agora
Se alguém ligar dizendo ser do seu banco e falando da conta da empresa:
- Desligue assim que aparecer pedido de senha, código, atualização, acesso ou transação, mesmo que a pessoa saiba seus dados.
- Ligue você mesmo para o banco pelo telefone do verso do cartão, pelo aplicativo ou pela agência, nunca pelo número que ligou.
- Não busque o banco no Google para acessar a conta. Use o aplicativo oficial que você já tem.
Se o golpe já aconteceu:
- Avise o banco na hora pelo canal oficial e peça o bloqueio do aplicativo e da senha, como orienta a Febraban.
- Conteste por escrito o empréstimo e as transferências que você não reconhece e guarde o protocolo.
- Registre boletim de ocorrência com data, horário e número das ligações, o endereço da página falsa e os extratos.
- Guarde tudo: prints do histórico de chamadas, da página acessada e das mensagens trocadas, no mesmo cuidado que descrevemos em o que reunir quando a conta é banida.
Cada caso depende das provas e da resposta do banco, e isso merece análise individual.
Perguntas frequentes
Gerente de banco liga pedindo atualização de conta?
Não. Segundo a Febraban, os bancos não pedem dados pessoais, senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança, pagamentos ou estornos por ligação. Se isso acontecer, encerre o contato e procure o canal oficial.
Como o golpista sabe o nome do meu gerente?
As reportagens não explicam como os dados foram obtidos no caso de São Bernardo. O ponto importante é que conhecer dados reais da conta não prova que a pessoa é do banco.
Pesquisar o site do banco no Google é seguro?
Para acessar a conta, o caminho mais seguro é o aplicativo oficial ou o endereço que você já usa. No caso contado pela TV São Bernardo, foi a busca orientada pelo golpista que levou a uma página falsa.
O banco devolve o dinheiro de golpe do falso gerente?
Depende do caso. A Súmula 479 do STJ trata da responsabilidade dos bancos por fraudes de terceiros em operações bancárias, mas a análise considera como o golpe aconteceu e se o banco deveria ter barrado as operações.
O que fazer logo depois de cair no golpe?
Avisar o banco pelo canal oficial para bloquear aplicativo e senha, contestar as operações, registrar boletim de ocorrência e guardar extratos, prints e o histórico de ligações.
