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Golpe do falso advogado: dizem que o STJ ligou, pedem videochamada e é o seu rosto que eles querem

Criminosos dizem que o STJ entrou em contato sobre o seu processo e pedem videochamada. A chamada serve para capturar o seu rosto e passar pelo reconhecimento facial do banco. Veja como identificar e o que fazer.

Tela de celular com uma videochamada em andamento e, no reflexo, o contorno de um rosto sendo lido por um quadro de reconhecimento facial

O golpe do falso advogado mudou. Ele começou com mensagem de WhatsApp pedindo PIX para custas e hoje chega com uma videochamada, uma falsa audiência e a informação de que o STJ entrou em contato sobre o seu processo. O pedido de dinheiro às vezes nem aparece, porque o que interessa ao criminoso é a imagem do seu rosto, que vale a sua conta bancária inteira.

Se você tem um processo em andamento, os seus dados já estão expostos. Número do processo, nome das partes, vara, valor da causa e andamentos são públicos nos sites dos tribunais, e é daí que sai a conversa convincente que chega até você.

Como o golpe funciona hoje

O roteiro costuma seguir esta ordem.

1. O contato com dados verdadeiros. Chega uma mensagem ou uma ligação de alguém que diz falar pelo seu advogado ou pelo escritório. A pessoa cita o número do processo, o nome da parte contrária e a vara certa. Muitas vezes a foto do perfil é a do advogado de verdade, copiada do site ou do Instagram.

2. A boa notícia com prazo. Dizem que o processo entrou em fase de liberação de valores, que saiu um alvará ou que houve um acordo. Acrescentam que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) entrou em contato para validar o procedimento e que o prazo é curto.

3. O pedido de videochamada. Para "confirmar a sua identidade", "fazer a audiência de conciliação" ou "validar o alvará", pedem uma chamada de vídeo. Em alguns casos, pedem também que você espelhe ou compartilhe a tela do celular.

4. O prejuízo. Ele vem por dois caminhos. No primeiro, pedem um pagamento antes da liberação, a título de custas, taxa, imposto ou honorários. No segundo, que é o mais novo e o mais grave, não pedem dinheiro nenhum: bastam a sua imagem e o que aparece na sua tela.

Por que eles querem o seu rosto

Bancos e financeiras abrem conta e aprovam empréstimo por reconhecimento facial. A prova de vida é uma selfie com movimentos simples, como virar o rosto ou piscar, e é exatamente isso que a videochamada entrega, em vídeo e com boa qualidade.

Com essa imagem, o criminoso tenta abrir contas digitais no seu nome, contratar empréstimos e financiamentos, desbloquear acessos em aplicativos que usam biometria e, quando consegue ver a sua tela, acompanhar o que você digita no aplicativo do banco.

A OAB Subseção Cascavel alertou para essa versão do golpe em 30 de janeiro de 2026, relatando registros de tentativas de capturar a imagem do rosto em videochamadas para reconhecimento facial, abertura de financiamentos e contratos indevidos em nome da vítima. Na mesma publicação, a entidade informa que só no Paraná já foram registrados mais de 1,7 mil boletins de ocorrência desse tipo de fraude.

Os casos concretos seguem o mesmo padrão. Em Ibaté, no interior de São Paulo, uma moradora recebeu mensagens e chamadas de vídeo de pessoas que se apresentaram como sua advogada e como representante do STJ, com pedidos de dados bancários e de imagens do rosto. Em Ourinhos, uma aposentada perdeu R$ 16 mil depois que os criminosos usaram biometria facial.

Os sinais que denunciam o golpe

Nenhum desses sinais aparece sozinho. Quando dois ou três se juntam na mesma conversa, trate o contato como golpe até provar o contrário.

  • O tribunal ligou. O STJ e os demais tribunais não ligam para a parte, não fazem audiência por WhatsApp e não pedem dados bancários. Quem se comunica com você é o seu advogado.
  • Pagamento antes de receber. Custas, taxa, imposto, alvará, honorários adiantados. Se a condição para receber é pagar, é golpe.
  • Videochamada que ninguém agendou. Chamada que aparece do nada, fora do canal oficial, para "validar identidade".
  • Pedido de espelhar a tela. Nenhum advogado precisa ver a tela do seu celular.
  • Número diferente do de sempre. Mesmo com a foto e o nome certos, o número mudou.
  • Pressa. Prazo de horas, ameaça de perder o valor, insistência para resolver naquele momento.
  • PIX para pessoa física. Conta de pessoa física ou de empresa sem relação com o escritório.
  • Documento com erro. Certidões e alvarás falsos costumam ter o nome do tribunal escrito errado, brasão de baixa qualidade e número de processo que não bate com o do seu caso.

O que fazer se o contato chegar até você

Não atenda a videochamada. Se já atendeu, encerre assim que perceber, sem mostrar o rosto de novo e sem espelhar a tela.

Não pague e não envie documento. Nem RG, nem CPF, nem selfie, nem comprovante de residência, nem código recebido por SMS.

Confirme pelo número oficial. Ligue ou escreva para o número que você já usava antes, e não para o que apareceu na mensagem. Pergunte se aquele contato é mesmo do escritório e se a informação é verdadeira.

Guarde tudo. Print da conversa, número, horário, documentos recebidos e comprovante de qualquer pagamento. É esse material que sustenta o boletim de ocorrência e o pedido de devolução.

Se já houve pagamento ou videochamada, procure o banco no mesmo dia. No PIX existe o Mecanismo Especial de Devolução, que permite ao banco bloquear e devolver o valor quando há indício de fraude, e ele tem prazo. Registre o boletim de ocorrência, que pode ser feito pela delegacia eletrônica do seu estado, e avise o seu advogado.

Se você atendeu a chamada e mostrou o rosto, o risco continua depois. Acompanhe o seu CPF em consultas de crédito, ative a autenticação em duas etapas do banco e do e-mail, e considere o registro no Registrato do Banco Central, que lista contas e empréstimos abertos em seu nome.

Como o escritório fala com você

Cada assunto tem um número, e a lista completa está no comunicado Canais oficiais de contato. O número principal é o (11) 99768-1786.

O escritório não cobra custas, taxas, impostos ou alvará para liberar valores de processo, não pede PIX nem transferência para conta de pessoa física, e não pede senha, código de verificação ou dados de cartão. Videochamada com o escritório só acontece com agendamento feito pelo número oficial, e mesmo assim vale confirmar por ele antes de atender.

O alerta completo está no comunicado Alerta de golpe: falso contato do STJ e videochamada.

Perguntas frequentes

O STJ pode entrar em contato comigo por telefone ou videochamada?

Não. Os tribunais se comunicam pelos autos do processo e pelo Diário da Justiça, e quem fala com você é o seu advogado. Nenhum tribunal liga para a parte pedindo dados bancários, pagamento ou chamada de vídeo.

Por que o golpista sabe o número do meu processo?

Porque a maioria dos processos é pública. Número, partes, vara e andamentos podem ser consultados por qualquer pessoa nos sites dos tribunais. Saber esses dados não prova que quem está falando com você é o seu advogado.

Atender uma videochamada é perigoso mesmo sem eu falar nada?

Sim. O que interessa ao criminoso é a imagem do seu rosto em movimento, que é o que os bancos usam para reconhecimento facial. A gravação dessa imagem já basta para tentar abrir conta ou contratar empréstimo no seu nome.

Mostrei meu rosto na chamada. O que eu faço agora?

Avise o seu banco e o seu advogado, ative a autenticação em duas etapas nas suas contas e registre o boletim de ocorrência. Acompanhe o seu CPF nos birôs de crédito e no Registrato do Banco Central para identificar conta ou empréstimo aberto sem a sua autorização.

Paguei o valor pedido. Dá para reaver o dinheiro?

Dá para tentar, e o tempo conta muito. Procure o seu banco no mesmo dia e peça o Mecanismo Especial de Devolução do PIX, que permite bloquear e devolver valores quando há indício de fraude. Registre o boletim de ocorrência e guarde todos os comprovantes.

O banco responde por conta ou empréstimo aberto com a minha biometria?

Em regra, sim. A Súmula 479 do STJ firma que as instituições financeiras respondem por danos causados por fraudes praticadas por terceiros no âmbito das suas operações bancárias. Isso não apaga a fraude, mas sustenta o pedido de cancelamento do contrato, de devolução dos valores e de reparação.

Como eu confirmo que o contato é mesmo do escritório?

Use o número que você já usava antes, ou o número principal divulgado no site, e pergunte diretamente. Não responda pelo número que enviou a mensagem e não clique em link recebido nela.

Conteúdo informativo. Não constitui consulta nem parecer jurídico, e não substitui a análise individual do seu caso. O processo é atividade de meio: nenhuma medida garante resultado específico.

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