O WhatsApp com a foto do diretor pediu R$ 29 mil ao financeiro, e uma funcionária percebeu o golpe pelo jeito de escrever
Número com a foto do diretor pediu R$ 29 mil ao financeiro de uma empresa gaúcha; a funcionária desconfiou e a polícia prendeu três em Cuiabá. Veja o que fazer.

O golpe do falso diretor acontece quando alguém cria um WhatsApp com a foto de um chefe da empresa e pede ao financeiro uma transferência urgente, e o caso mais recente que conhecemos terminou bem porque a funcionária desconfiou do jeito de escrever. Uma empresa de Esteio, no Rio Grande do Sul, recebeu esse pedido de cerca de R$ 29 mil, a transferência não foi feita e a investigação levou a Polícia Civil a prender três suspeitos em Cuiabá em 1º de setembro de 2026, na Operação Fake Eagle.
O caso é útil para qualquer empresa pequena ou média porque mostra, com detalhes, onde o golpe se apoia e qual foi o único ponto que o impediu, e é esse ponto que dá para transformar em regra interna.
Como foi o golpe do falso diretor em Esteio?
Segundo a Repórter News e o Circuito MT, ambos em 1º de setembro de 2026, uma funcionária do setor financeiro recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de um número que usava a fotografia do diretor da empresa, pedindo uma transferência de aproximadamente R$ 29 mil. A abordagem tinha cara de rotina, porque pedido de pagamento vindo da diretoria é algo que o financeiro recebe com frequência.
A transferência não aconteceu porque a funcionária percebeu que o vocabulário e a forma da mensagem não batiam com o padrão do diretor verdadeiro. A empresa registrou o caso, e os dados bancários informados pelos golpistas para receber o dinheiro deram à polícia o fio da investigação.
Por que o pedido parecia verdadeiro?
Porque o grupo cuidou dos detalhes que costumam passar despercebidos. Segundo as reportagens, o número usado tinha DDD 51, o mesmo do Rio Grande do Sul, embora os suspeitos agissem de Cuiabá, e a polícia identificou com eles outros 14 números com o mesmo código de área. Um número local reduz a desconfiança de quem recebe a mensagem, e a foto do diretor faz o resto.
Além disso, o dinheiro não iria para uma conta em nome do grupo. As matérias descrevem contas bancárias, chaves Pix, celulares e linhas telefônicas em nome de terceiros, com integrantes se revezando para repassar os valores rapidamente, o que dificulta rastrear e recuperar o dinheiro depois que ele sai.
Quem foi preso e o que a polícia investiga?
A Operação Fake Eagle cumpriu sete ordens judiciais em Cuiabá, sendo três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão, numa investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul com apoio de delegacias especializadas de Mato Grosso, segundo a HNT. Os investigados podem responder por estelionato mediante fraude eletrônica, na forma tentada, e por associação criminosa.
A fraude eletrônica é a forma do estelionato prevista no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal, para quando a vítima é enganada por redes sociais, contatos telefônicos, e-mail ou meio parecido, com pena maior que a do estelionato comum. Isso não devolve dinheiro a ninguém, mas explica por que a polícia trata esse golpe com prioridade e por que o boletim de ocorrência faz diferença.
Por que o financeiro é o alvo preferido?
Porque é quem tem a senha do banco e a autorização para pagar. O golpista não precisa invadir sistema nenhum quando consegue convencer a pessoa certa a fazer a transferência por vontade própria, e por isso a mensagem vai direto para quem executa pagamentos, e não para o dono.
Em empresa pequena isso pesa mais, já que muitas vezes o financeiro é uma pessoa só, que recebe ordens por WhatsApp o dia inteiro e não tem um segundo aprovador. Uma leitura nossa, e não da reportagem, é que o golpe explora justamente a informalidade que faz a empresa andar rápido.
A empresa consegue reaver o dinheiro se a transferência sair?
Depende do caso, e não há garantia. Quanto mais rápido o banco é avisado, maior a chance de bloquear valores que ainda estejam na conta de destino, e por isso a primeira ligação depois de perceber o golpe deve ser para o banco. Em seguida vem o boletim de ocorrência, com prints, número usado, dados da conta que recebeu e horários, porque foi exatamente esse tipo de dado que levou a polícia ao grupo de Cuiabá.
Se o golpe começou com a invasão de uma conta verdadeira, e não com um número novo, o caminho é outro, e explicamos como agir em conta do Instagram invadida. Quem depende do WhatsApp Business para vender também pode ler sobre o que fazer quando a conta cai em WhatsApp Business banido sem motivo.
O que fazer agora
Algumas regras simples resolvem boa parte do risco, e todas partem do que salvou a empresa de Esteio.
- Combine por escrito que pedido de pagamento feito por mensagem não se paga sem confirmação por outro canal, como uma ligação para o número do diretor que a empresa já tem salvo.
- Crie um segundo aprovador para transferências acima de um valor definido, mesmo que seja o próprio dono respondendo por telefone.
- Desconfie de urgência e de segredo, como "resolve isso agora" ou "não comenta com ninguém", porque é a pressa que impede a conferência.
- Oriente a equipe a comparar o jeito de escrever com mensagens antigas da mesma pessoa, que foi o detalhe que funcionou neste caso.
- Se a mensagem chegar, guarde tudo: prints com o número, data e hora, dados da conta indicada e o que foi respondido, como explicamos em o que reunir quando a conta é banida.
- Se o dinheiro saiu, avise o banco imediatamente e registre boletim de ocorrência no mesmo dia.
Cada situação tem suas particularidades, e a análise depende das provas e do que aconteceu depois da transferência.
Perguntas frequentes
O que é o golpe do falso diretor?
É quando o golpista usa a foto e o nome de alguém da diretoria num número de WhatsApp e pede ao financeiro uma transferência ou um Pix urgente. Também é chamado de golpe do falso CEO.
Como saber se a mensagem do chefe é golpe?
Número diferente do salvo, pedido de dinheiro com urgência, conta de destino em nome de terceiro e jeito de escrever diferente do habitual são sinais fortes. Na dúvida, ligue para o número que a empresa já tem.
O golpista precisa invadir o WhatsApp do diretor?
Não. No caso de Esteio, bastou um número novo com a foto do diretor. A conta verdadeira dele não foi usada.
Quantas pessoas foram presas na Operação Fake Eagle?
Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão em Cuiabá, em 1º de setembro de 2026, segundo as reportagens.
Vale a pena registrar boletim de ocorrência se a transferência não saiu?
Vale. No caso de Esteio a tentativa foi registrada, e os dados bancários passados pelos golpistas permitiram chegar ao grupo.
