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6 min de leitura

Tentaram invadir o Instagram de um jornalista, e a Meta suspendeu a conta da vítima

Um juiz de SP mandou a Meta reativar o perfil de um jornalista suspenso após 4 avisos de senha e fixou R$ 5 mil, pois a violação não foi provada. Cabe recurso.

Celular aceso sobre uma mesa de escritório em casa à noite, com quatro avisos iguais com ícone de chave na tela, ao lado de um notebook com a grade de um perfil apagada atrás de um alerta cinza e uma mão tensa perto do aparelho

Pode acontecer, e um caso de São Paulo mostra o caminho que a Justiça deu a ele. O jornalista Giovani da Silva recebeu quatro avisos do Instagram de alteração de senha dois dias antes de ter a conta suspensa por suposta violação dos Padrões da Comunidade, e o juiz Miguel Ferrari Júnior, da 43ª Vara Cível de São Paulo, mandou a Meta reativar o perfil e pagar R$ 5 mil de danos morais, porque a empresa não comprovou com documento a violação que alegou. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

O caso foi noticiado em 29 de setembro de 2026 pela coluna de Matheus Leitão no Metrópoles e pelo Sociedade ON. Não tivemos acesso à decisão em si, então o que segue é o que as duas matérias trazem.

O que aconteceu com a conta do jornalista?

A conta era a da ENIC Notícias, administrada por Giovani da Silva, com mais de 41 mil seguidores. Segundo o Metrópoles, dois dias antes do bloqueio ele recebeu quatro notificações do Instagram informando alterações de senha, registrou boletim de ocorrência e tentou recuperar a conta diretamente com a plataforma, sem conseguir.

A Meta manteve a suspensão alegando que o perfil violava os Padrões da Comunidade, mas não especificou qual conteúdo ou atividade teria provocado o banimento. A conta ficou fora do ar por quase quatro meses e voltou a funcionar em 1º de agosto, segundo as duas matérias.

Por que a plataforma suspende a conta de quem foi atacado?

As matérias não dizem o que levou a Meta a suspender o perfil, e a própria empresa não explicou. Na nossa leitura, uma tentativa de invasão costuma gerar acessos de lugares estranhos, troca de senha e atividade fora do padrão, e um sistema automático de segurança pode ler isso como violação da conta, punindo o dono em vez de protegê-lo.

É por isso que a ordem dos fatos importa tanto. Neste caso, os avisos de senha chegaram antes da suspensão, e isso foi registrado em e-mail e em boletim de ocorrência antes de a plataforma dar a versão dela. Já tratamos de outro caso em que a Meta respondeu pela demora em devolver um Instagram invadido.

O que o juiz decidiu?

Segundo o Metrópoles, o juiz determinou a reativação da conta e condenou a Meta ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais. O fundamento foi o de que a empresa deveria comprovar documentalmente a violação que justificaria o bloqueio, o que não ocorreu.

O juiz também considerou que a falta de uma explicação específica deixou o jornalista sem condições de exercer o contraditório sobre a suspensão, ou seja, sem saber do que se defender. É o mesmo raciocínio que apareceu quando o Instagram desativou um perfil citando só os Padrões da Comunidade: a menção genérica à regra não mostra qual regra foi quebrada.

A decisão vale para outros casos?

Não automaticamente. É uma decisão de primeiro grau, a Meta pode recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo, e as matérias não informam se houve recurso. O valor de R$ 5 mil foi fixado para aquele processo, com as provas e o tempo fora do ar daquele caso, e não serve de tabela para outros.

As matérias também não dizem se a reativação veio de uma liminar ou da sentença, e falam apenas em decisão. O que o caso mostra é o tipo de prova que pesou: os avisos de senha antes da suspensão, o boletim de ocorrência e a ausência de um motivo concreto no aviso da plataforma.

O que diz a lei sobre a suspensão sem explicação?

O Marco Civil da Internet, Lei 12.965/2014, garante ao usuário informações claras e completas sobre os contratos de prestação de serviço, e o Código de Defesa do Consumidor garante informação adequada sobre o serviço. Pelas matérias, foi a falta de prova e de explicação da violação que pesou na decisão, e não uma regra nova.

O que fazer agora

Se chegar aviso de senha alterada que você não pediu, o que você salva nas primeiras horas é o que conta a história depois:

  1. Guarde os e-mails de senha alterada com data e hora, sem apagar, porque são eles que mostram que o ataque veio antes da suspensão.
  2. Faça o boletim de ocorrência na hora, contando a tentativa de invasão antes de a plataforma contar a versão dela.
  3. Tire print do aviso de suspensão, porque, se ele só fala em Padrões da Comunidade, é o registro de que nenhum motivo concreto foi dado.
  4. Peça a revisão pela própria plataforma e guarde cada protocolo e resposta.
  5. Anote o que parou enquanto a conta esteve fora, como vendas, parcerias e publicações, com os números de antes e de depois.

Para organizar tudo, siga o que reunir quando a conta é banida. Cada caso depende das provas, do tempo fora do ar e do uso da conta, e precisa de análise individual.

Perguntas frequentes

O Instagram pode suspender a conta de quem sofreu tentativa de invasão?

Pode acontecer. No caso noticiado em 29 de setembro de 2026, o jornalista recebeu quatro avisos de senha alterada dois dias antes da suspensão, e a Meta alegou violação dos Padrões da Comunidade sem dizer qual conteúdo ou atividade a motivou.

O que o juiz decidiu no caso do jornalista suspenso?

O juiz da 43ª Vara Cível de São Paulo mandou a Meta reativar a conta e fixou R$ 5 mil de danos morais, porque a empresa não comprovou com documento a violação que justificaria o bloqueio. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

A Meta precisa provar a violação dos Padrões da Comunidade?

Nesse caso, o juiz entendeu que sim: a empresa deveria comprovar documentalmente a violação, e a falta de explicação específica deixou o usuário sem condições de contestar a suspensão. Outros juízes podem decidir de outra forma, conforme as provas de cada processo.

Quanto tempo a conta ficou fora do ar?

Quase quatro meses, segundo o Metrópoles e o Sociedade ON. A conta da ENIC Notícias, com mais de 41 mil seguidores, voltou a funcionar em 1º de agosto de 2026.

O que guardar se eu receber aviso de senha alterada que não pedi?

Os e-mails de alteração de senha com data e hora, o boletim de ocorrência, o print do aviso de suspensão e os protocolos dos pedidos de revisão. Foi essa sequência de registros que mostrou, no caso do jornalista, que o ataque veio antes da suspensão.

Fontes

Conteúdo informativo. Não constitui consulta nem parecer jurídico, e não substitui a análise individual do seu caso. O processo é atividade de meio: nenhuma medida garante resultado específico.

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