Ganha comissão pelo link da bio? Para o Conar, esse post é anúncio
Sim. O guia do Conar em vigor desde 1º/06/2026 trata link, cupom e código rastreável com comissão como anúncio, que deve ser marcado como publi em destaque.

Para o Conar, sim: link de afiliado, cupom ou outro código rastreável que rende comissão é anúncio e precisa vir identificado como publicidade. A regra está no Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, publicado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária em 12 de maio de 2026, com efeitos desde 1º de junho, e o mesmo guia pede que o recebido, mesmo sem acordo, venha com a menção da relação com a marca.
Muito perfil vive de indicar produto com link de marketplace ou cupom com comissão e trata isso como dica de achadinho, porque ninguém da marca mandou o texto nem aprovou o post. Li o guia inteiro no PDF oficial, e ele trata o caso de outro jeito.
O que mudou no guia do Conar em 2026?
O texto novo atualiza o guia de influenciadores que o Conar lançou em dezembro de 2020 e mantém as definições daquela versão, mas traz o afiliado de forma expressa. O preâmbulo diz que o guia é voltado aos influenciadores, "aos Afiliados, Agências, Anunciantes e demais atores" da publicidade feita por criadores de conteúdo.
A ficha final informa que o texto foi aprovado pelo Conselho de Conteúdo em 11 de maio, publicado em 12 de maio e tem efeitos a partir de 1º de junho de 2026. O assunto voltou ao noticiário em setembro, quando o UAI publicou em 23 de setembro uma análise da Del Rio Advocacia, em conteúdo produzido em colaboração, segundo a qual o post com link de comissão passa a seguir o mesmo regime de uma campanha contratada.
Link de afiliado é publicidade para o Conar?
É. A nota 1 do guia define a afiliação como a atividade em que o afiliado divulga produto ou serviço e é recompensado pela empresa "em função do engajamento do consumidor (por clique, vendas ou outros)", em geral com uma comissão combinada. Para os fins do guia, essa modalidade "constitui anúncio de produtos ou serviços por meio de links, cupons ou outros mecanismos rastreáveis", remunerados em função do interesse que geram.
Na prática, o achadinho com link da loja, o cupom com o seu nome e o código que rende comissão por venda estão dentro da definição, mesmo que a marca não tenha visto o post antes de ir ao ar.
Como marcar a publi do jeito que o guia pede?
O item 1.1 diz que o conteúdo publicitário deve ser claramente identificado, pela ferramenta da própria rede que sinaliza conteúdo pago ou por expressões como "#publicidade" e "#publi". O item 1.1.1 recomenda, sempre que possível, a ferramenta da plataforma e, na falta dela, o termo escrito de forma ostensiva e destacada.
O ponto que mais pega é a posição. O guia exige que a identificação seja "visível em primeiro plano", sem que a pessoa precise interagir com o post ou tocar no botão de mais conteúdo, então a hashtag escondida no fim de uma legenda longa não atende ao que ele pede.
E o produto recebido sem contrato precisa de aviso?
Precisa da menção da relação, ainda que não seja anúncio. O item 2 trata do recebido, do brinde, da viagem, da hospedagem e do convite oferecidos sem acordo de divulgação e sem interferência da marca no conteúdo, e diz que, para a autorregulamentação, essas postagens "não configuram anúncios".
O mesmo item, porém, diz que, como "tal conexão ou benefício pode afetar o teor da mensagem, é necessária a menção da relação que originou a referência". O próprio guia traz exemplos na tabela anexa, como "#recebido" e o agradecimento à marca pelo produto, pela viagem ou pelo convite.
O Conar pode punir o criador?
O Conar não é órgão do governo, e sim uma entidade de autorregulamentação do mercado publicitário, e as decisões dele não substituem o Código de Defesa do Consumidor nem a Justiça, como lembra o UAI. O guia não lista punições para o influenciador, por isso não falamos aqui em multa.
O peso vem pelo contrato. Na parte de governança, o guia orienta anunciantes, agências e demais atores a acompanhar as postagens das campanhas e tomar medidas para "o ajuste, a correção ou a suspensão" do anúncio fora da regra, e a evitar parceiros que reincidam em reprovações definitivas no Conselho de Ética. Na nossa leitura, é aí que o criador sente a regra, quando a marca ou o programa de afiliados pede a correção, suspende o pagamento ou deixa de contratar.
O tema conversa com outras regras sobre anúncio em rede social que já tratamos, como a portaria da Senacon sobre anúncio pago e repositório público e o rótulo de conteúdo gerado por IA no Instagram, que também pedem transparência sobre o que está sendo mostrado.
O que fazer agora
Rever o perfil com o guia em mãos leva pouco tempo e evita retrabalho quando a marca pedir ajuste:
- Marque publi em primeiro plano em todo post, story ou vídeo com link, cupom ou código que rende comissão, pela ferramenta da rede ou com #publi.
- Revise os destaques e posts fixados, porque link de afiliado antigo continua no ar e continua sendo anúncio.
- Diga quando é recebido, mesmo sem contrato, mencionando a marca que mandou o produto, a viagem ou o convite.
- Leia o termo do programa de afiliados, que é onde está escrito quem responde por cada post e o que acontece se a marcação faltar.
- Guarde as mensagens da marca ou da agência pedindo ajuste ou suspensão, com data, para saber depois o que foi pedido e quando.
Cada caso depende do contrato, da plataforma e do conteúdo publicado, e precisa de análise individual.
Perguntas frequentes
Link de afiliado precisa ter #publi?
Para o Conar, sim. O Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, com efeitos desde 1º de junho de 2026, trata como anúncio a divulgação por link, cupom ou outro mecanismo rastreável remunerado pelo interesse que gera, e pede identificação publicitária visível em primeiro plano.
Cupom com comissão é publicidade?
É. A nota 1 do guia do Conar inclui cupons entre os mecanismos rastreáveis da afiliação, remunerados por clique, venda ou outro engajamento, e diz que essa modalidade constitui anúncio de produtos ou serviços.
Recebido sem contrato precisa de publi?
Não precisa ser marcado como anúncio, porque o guia diz que brinde, viagem ou hospedagem sem acordo de divulgação não configuram anúncio. Mas o guia exige a menção da relação que originou o post, como "#recebido" ou o agradecimento à marca.
Onde a marcação de publi tem que aparecer?
Em primeiro plano, sem que a pessoa precise tocar em mais conteúdo ou interagir com o post. O guia recomenda usar a ferramenta de conteúdo pago da própria rede e, na falta dela, termos como #publi ou #publicidade de forma destacada.
O guia do Conar é lei?
Não. O Conar é uma entidade de autorregulamentação do mercado publicitário, e o guia orienta anunciantes, agências, influenciadores e afiliados sem substituir o Código de Defesa do Consumidor ou a Justiça. Na prática, ele costuma ser cobrado pelas marcas nos contratos.
Fontes
- Conar, Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, publicado em 12/05/2026, preâmbulo, nota 1, itens 1.1, 1.1.1 e 2 e governança
- UAI, 23/09/2026, análise da Del Rio Advocacia
- Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990
