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7 min de leitura

O cliente reclamou de um produto com defeito, mandou a foto pelo WhatsApp da loja, e o arquivo não era uma foto

Na falsa reclamação, o golpista finge ser cliente, diz que o produto veio com defeito e manda no WhatsApp da loja um arquivo malicioso disfarçado de foto.

Mulher de uns quarenta anos atrás do balcão de uma pequena loja de roupas, no fim da tarde, segurando o celular com as duas mãos e franzindo a testa para a tela, com uma arara de roupas e uma maquininha de cartão ao lado

No golpe da falsa reclamação, alguém escreve para o WhatsApp da loja dizendo que é cliente, afirma que recebeu um produto com defeito ou avaria e, para "mostrar o problema", envia um arquivo que parece foto ou documento, mas é um arquivo malicioso, capaz de infectar o aparelho e permitir o roubo de informações. Foi assim que a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Juazeiro, na Bahia, descreveu a fraude em alerta publicado em 17 de setembro de 2026, no qual ela aparece ao lado do roubo da conta pelo código de verificação e do falso comprovante de Pix entre os golpes mais comuns contra comerciantes.

O alerta é um texto da assessoria da própria associação, reproduzido pelo A Notícia do Vale em 17 de setembro de 2026, e os números de investigações em São Paulo que aparecem mais abaixo são da Secretaria da Segurança Pública, publicados pelo g1 em 20 de setembro de 2026 e repetidos pelo NC News.

O que a associação comercial de Juazeiro alertou?

A associação avisou empresários e consumidores da cidade de que os golpes praticados por meio do WhatsApp estão aumentando e de que a fraude pode causar prejuízo financeiro e comprometer dados de empresas e de clientes. Segundo o texto, o aviso não nasceu de uma hipótese, porque uma empresa associada, a Juagro, comunicou ter sido vítima do uso indevido do WhatsApp por criminosos, registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e está adotando as medidas legais para identificar os envolvidos.

O alerta não diz qual dos golpes atingiu a Juagro nem o tamanho do prejuízo, e por isso não dá para afirmar que o caso dela foi o da falsa reclamação. O que o texto traz é a lista dos três golpes mais comuns contra quem vende, e o golpe do código de verificação, que está na mesma lista, já foi assunto de outro artigo aqui no blog.

Como a falsa reclamação entra no celular da loja?

Pela descrição da associação, o criminoso se passa por cliente, afirma que recebeu um produto com defeito ou avaria e, em seguida, envia um arquivo malicioso disfarçado de foto ou documento, que pode infectar o dispositivo e permitir o roubo de informações. O alerta não detalha que tipo de programa vem no arquivo, mas a orientação que o acompanha dá a pista, já que a associação pede para nunca instalar arquivos com extensões como .exe, .apk ou .zip.

Essas três extensões não são de imagem. O .apk é o formato de instalação de aplicativos no Android, o .exe é um programa de computador, que interessa a quem atende pelo WhatsApp no navegador ou no aplicativo de mesa, e o .zip é um pacote compactado que pode esconder qualquer um dos dois. Uma foto de verdade aparece na conversa como imagem, já aberta em miniatura, enquanto esse tipo de arquivo chega como documento, com nome e extensão, e só faz estrago quando alguém toca nele e aceita instalar ou executar.

Por que a loja abre o anexo sem desconfiar?

Porque reclamação de cliente é rotina e ninguém quer deixar uma queixa sem resposta, ainda mais quando ela vem com tom de urgência. O arquivo chega no meio de uma conversa que parece comum, com uma história plausível, e quem está no balcão ou no estoque tende a abrir primeiro para ver o defeito e só depois procurar o pedido, que é a ordem inversa da que protege a loja.

Na nossa leitura, o golpe aproveita a boa prática de atender rápido, da mesma forma que a falsa central do banco aproveita a vontade de proteger a conta.

Como diferenciar a reclamação verdadeira da falsa?

O primeiro filtro é o pedido, e não o anexo. Cliente de verdade tem nome, data de compra, número de pedido ou nota, e a loja consegue localizar a venda antes de olhar qualquer arquivo, de modo que a conversa que não fecha com nenhum registro já merece cuidado. O segundo filtro é o formato do que chegou, porque a foto do defeito pode ser enviada como imagem comum, pela câmera do próprio aplicativo, e não há motivo para ela vir como documento a ser baixado.

Quando o suposto cliente insiste no arquivo, recusa mandar a foto de outro jeito ou pressiona para que alguém "abra logo", a conversa reúne a urgência e o remetente desconhecido de que a associação manda desconfiar. Aplicativo instalado fora da loja oficial, aliás, já apareceu em outro golpe contra quem vende, o do aplicativo falso de coleta.

O problema é só de Juazeiro?

Não. O alerta é local, mas a fraude por aplicativo de mensagem é investigada no país inteiro. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo publicados pelo g1, nos sete primeiros meses de 2026 a Divisão de Crimes Cibernéticos do Deic fez 73 operações policiais, cumpriu 254 mandados, apreendeu 164 celulares e indiciou 268 suspeitos por fraudes digitais.

Esses números somam todas as modalidades de fraude digital acompanhadas pela divisão, e não só a falsa reclamação.

O que fazer agora

Para proteger o WhatsApp da loja, seguindo a orientação da associação comercial:

  1. Use um número exclusivo da empresa, separado do telefone pessoal.
  2. Ative a verificação em duas etapas e o PIN de segurança, que agora pode ser uma senha longa, como explicamos em o que mudou na verificação em duas etapas do WhatsApp.
  3. Não abra arquivo suspeito enviado por desconhecido e nunca instale arquivos com extensões como .exe, .apk ou .zip.
  4. Localize o pedido antes de olhar o anexo e peça a foto como imagem comum.
  5. Confirme o Pix direto na conta do banco antes de liberar mercadoria, porque o falso comprovante está na mesma lista de golpes.

Se o arquivo já foi aberto ou instalado:

  1. Tire o aparelho da internet, desligando o wi-fi e os dados móveis, e não acesse o banco por ele.
  2. Avise o banco pelo canal oficial, de outro aparelho, e peça o bloqueio dos acessos e a troca das senhas.
  3. Registre boletim de ocorrência, presencialmente ou pela Delegacia Virtual, com os prints da conversa, o número que enviou o arquivo e o próprio arquivo, sem abrir de novo.
  4. Avise clientes e contatos de que o número pode ter sido comprometido, e escreva para o suporte do WhatsApp, no endereço support@whatsapp.com, pedindo a desativação temporária da conta, como orienta a associação.
  5. Leve o aparelho a um técnico antes de voltar a usá-lo para atendimento ou para o banco.

Cada caso depende do que o arquivo conseguiu acessar e de como o banco respondeu, e por isso a análise é individual.

Perguntas frequentes

O que é o golpe da falsa reclamação no WhatsApp?

É quando o criminoso se passa por cliente, diz que recebeu um produto com defeito ou avaria e envia um arquivo malicioso disfarçado de foto ou documento, que pode infectar o aparelho e permitir o roubo de informações, segundo a associação comercial de Juazeiro.

Como saber se o arquivo que o cliente mandou é perigoso?

Foto de verdade aparece como imagem na conversa. Arquivo que chega como documento, com extensão .exe, .apk ou .zip, não é foto, e a orientação da associação é nunca instalar esse tipo de arquivo.

Abri o arquivo. O que faço primeiro?

Tire o aparelho da internet, avise o banco por outro aparelho e pelo canal oficial, troque as senhas e registre boletim de ocorrência com os prints da conversa.

Só receber o arquivo já infecta o celular?

O alerta da associação fala em não abrir e não instalar arquivos suspeitos. Se o arquivo ficou na conversa sem ser tocado, o cuidado é apagar a mensagem, bloquear o número e não repassar o arquivo a ninguém.

Quem foi a empresa atingida em Juazeiro?

A associação informou que a Juagro comunicou ter sido vítima do uso indevido do WhatsApp por criminosos e registrou boletim de ocorrência. O alerta não diz qual golpe foi usado nem o valor do prejuízo.

Fontes

Conteúdo informativo. Não constitui consulta nem parecer jurídico, e não substitui a análise individual do seu caso. O processo é atividade de meio: nenhuma medida garante resultado específico.

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