Seus Shorts só vão pagar com 10 milhões de views em 90 dias, e o prazo para aceitar os termos vence antes
A partir de 1º/02/2027, o YouTube só divide a receita dos Shorts com canal que tiver 10 milhões de views em 90 dias. Os termos novos vencem em 31/01/2027.

A partir de 1º de fevereiro de 2027, o YouTube só vai dividir a receita de anúncios e assinaturas dos Shorts com o canal que tiver 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias. A mudança foi anunciada em 10 de agosto de 2026 no blog oficial do YouTube no Brasil, e a Central de Ajuda acrescenta um prazo que o anúncio não traz, porque os termos novos têm que ser aceitos no YouTube Studio até 31 de janeiro de 2027.
Li o anúncio em português e em inglês e as duas páginas da Central de Ajuda sobre o Programa de Parcerias do YouTube, porque a cobertura misturou duas regras diferentes numa só, e para quem já é parceiro é essa diferença que decide se fevereiro vai ter receita dos Shorts.
O que muda nos Shorts a partir de fevereiro de 2027?
Hoje a marca de audiência fica na porta de entrada. Pelos requisitos atuais, o canal entra com 1.000 inscritos e 4.000 horas de exibição qualificadas em 12 meses, ou com 1.000 inscritos e 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts em 90 dias, e depois de dentro divide a receita dos Shorts sem bater número nenhum.
O anúncio de agosto leva a marca para dentro do programa, já que a receita dos Shorts passa a depender de manter 10 milhões de visualizações qualificadas nos 90 dias anteriores. Presta atenção no adjetivo "qualificadas", que está em todas as versões oficiais, porque quem mede o que entra nessa conta é a própria plataforma, no painel dela.
A marca de 10 milhões vale só uma vez ou todo mês?
Todo mês. A Central de Ajuda diz que, para ganhar com os Shorts em cada mês, o canal precisa manter os 10 milhões nos últimos 90 dias, o que significa que a marca funciona como uma catraca que confere o cartão toda vez que você passa, e não como uma matrícula que vale para o ano inteiro.
Na prática, o canal entra e sai da divisão conforme a audiência sobe ou cai, e a conta que interessa é a soma móvel dos últimos 90 dias, e não o mês passado isolado.
Quem ficar abaixo dos 10 milhões é desmonetizado?
Não, e esse é o ponto que mais apareceu errado. Segundo o blog do YouTube, o canal abaixo da marca continua no Programa de Parcerias, segue ganhando com os vídeos longos, e a receita dos Shorts volta automaticamente quando ele passar dos 10 milhões de novo.
O criador perde uma fatia específica, a dos Shorts, que para quem construiu tudo em vídeo curto pode ser a maior parte do que entra, sem ter violado regra nenhuma.
A regra das 8.000 horas vale para quem já é parceiro?
Não. A outra mudança é para quem ainda vai entrar, que vai precisar de 8.000 horas de exibição qualificadas nos últimos 365 dias ou de 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias, e a Central de Ajuda mantém a exigência de mil inscritos. O YouTube diz no anúncio que essa atualização não afeta quem já faz parte do programa.
Mas atenção, porque essa frase vale só para a regra de entrada, e a marca dos 10 milhões e o aceite dos termos atingem, sim, quem já está dentro.
Qual é o prazo que não aparece no anúncio?
O aceite. Pela Central de Ajuda, os termos atualizados precisam ser aceitos no YouTube Studio até 31 de janeiro de 2027, e quem não aceitar tem a monetização dos recursos ligados ao módulo não aceito interrompida a partir de 1º de fevereiro de 2027. Os módulos citados são a Página de Exibição, os Shorts e, quando se aplica, o Produto Comercial.
Detalhe importante: quem não aceita não sai do programa nem perde a monetização em geral, perde a dos módulos sem aceite e volta a ganhar com eles quando aceitar.
O criador pode contestar uma regra mudada por comunicado?
A regra é da plataforma, e quem vive de Shorts não negociou nada, porque o Programa de Parcerias é um contrato de adesão escrito pelo YouTube e alterado por anúncio. Na nossa leitura, uma mudança avisada com quase seis meses de antecedência, que vale para o futuro e pede aceite expresso, dificilmente cai só por ter piorado as condições.
O que o direito protege com mais força é a execução. O Código Civil, Lei 10.406/2002, exige boa-fé na execução do contrato (artigo 422) e manda interpretar a favor de quem aderiu a cláusula ambígua de um contrato de adesão (artigo 423). Se a receita dos Shorts for cortada num mês em que o painel mostrava o canal acima da marca, ou se a monetização parar mesmo com o aceite feito, a discussão passa a ser sobre o cumprimento da regra, e a prova é o print do Studio com data. É diferente de ter o canal do YouTube desativado, e nos dois casos o caminho depende das provas e precisa de análise individual.
O que fazer agora
São quatro passos, e o primeiro é o único com data para vencer.
- Aceite os termos novos no YouTube Studio antes de 31 de janeiro de 2027 e guarde o print da confirmação com a data.
- Some as visualizações de Shorts dos últimos 90 dias e veja se o canal está perto ou longe dos 10 milhões, repetindo a conta todo mês.
- Não deixe a receita toda no Short, porque o vídeo longo segue pagando abaixo da marca.
- A partir de fevereiro, salve o painel de receita de cada mês com a soma dos 90 dias, seguindo a lógica de o que reunir quando a conta é banida.
Perguntas frequentes
Quando começa a regra dos 10 milhões de views nos Shorts?
Em 1º de fevereiro de 2027, conforme anúncio do YouTube de 10 de agosto de 2026. A partir dessa data, a divisão da receita dos Shorts exige 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias.
Quem não bater 10 milhões de views sai do Programa de Parcerias do YouTube?
Não. Segundo o YouTube, o canal abaixo da marca continua no programa e segue ganhando com vídeos longos, perdendo só a receita dos Shorts, que volta automaticamente quando ele passar de novo dos 10 milhões.
Até quando é preciso aceitar os novos termos do YouTube?
Até 31 de janeiro de 2027, no YouTube Studio, segundo a Central de Ajuda. Quem não aceitar tem a monetização dos módulos não aceitos, como Shorts e Página de Exibição, interrompida a partir de 1º de fevereiro de 2027, sem sair do programa.
As 8.000 horas valem para quem já é parceiro do YouTube?
Não. As 8.000 horas em 365 dias ou os 20 milhões de visualizações de Shorts em 90 dias são requisitos de entrada para novos canais a partir de fevereiro de 2027, e o YouTube afirmou em 10 de agosto de 2026 que isso não afeta quem já está no programa.
A marca de 10 milhões é conferida todo mês?
Sim. Pela Central de Ajuda do YouTube, a partir de fevereiro de 2027 a receita dos Shorts de cada mês depende de o canal manter 10 milhões de visualizações qualificadas nos 90 dias anteriores, e por isso ele entra e sai da divisão conforme a audiência.
Fontes
- Blog do YouTube Brasil, "Novas oportunidades de ganho e mudanças no Programa de Parcerias do YouTube", 10/08/2026
- Blog do YouTube, versão em inglês do mesmo anúncio, 10/08/2026
- Central de Ajuda do YouTube, "Mudanças no Programa de Parcerias do YouTube"
- Central de Ajuda do YouTube, requisitos atuais do Programa de Parcerias
- Código Civil, Lei 10.406/2002, artigos 422 e 423
