O perfil dela foi invadido e passou a anunciar um forno no Marketplace, e quem pagou foi uma conhecida
Perfil invadido no Facebook pode anunciar no Marketplace em seu nome e enganar conhecidos. Em Dourados, uma compradora pagou R$ 2,9 mil. Veja o que fazer.

Quando um perfil do Facebook é invadido, o golpista pode usar o nome, a foto e a lista de amigos do dono para publicar anúncios no Marketplace, e quem conhece a pessoa compra sem desconfiar. Foi o que o boletim de ocorrência registrado em Dourados, em Mato Grosso do Sul, descreveu em 22 de setembro de 2026, quando uma mulher de 38 anos pagou R$ 2,9 mil por Pix por um forno a gás para assar frango, anunciado no Marketplace, acreditando que negociava com uma conhecida cujo perfil, como a família descobriu depois, tinha sido invadido.
O caso foi noticiado em 23 de setembro de 2026 por A Gazeta de Dourados, pela Folha de Dourados e pelo Dourados Informa, todos com base no registro policial, e é dessas três matérias que saem os fatos abaixo.
O que aconteceu em Dourados?
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher encontrou no Marketplace do Facebook o anúncio de um forno a gás para assar frango e passou a negociar pelo WhatsApp com a suposta vendedora. O nome e a fotografia usados no perfil a fizeram acreditar que conversava com uma pessoa conhecida, e a Folha de Dourados informa que o Pix de R$ 2,9 mil foi feito no dia 22 de setembro, por volta das 13h16, para uma conta indicada na conversa.
Depois do pagamento, ela não conseguiu mais contato. Familiares procuraram a pessoa pelo Facebook e constataram que o perfil usado na negociação tinha sido invadido, ou seja, a dona da conta não participou de nada. O caso foi contestado junto ao banco e registrado na delegacia, com pedido de investigação de autoria, e até a publicação das matérias os autores não tinham sido identificados.
Por que a compradora não desconfiou?
Porque o golpe não precisou inventar um vendedor. O perfil era de verdade, com nome, foto e histórico de uma pessoa que a compradora conhecia, e a confiança que normalmente protege quem compra de conhecido foi exatamente o que o golpista usou. A conversa saiu do Facebook e foi para o WhatsApp, o pagamento foi pedido por Pix antes de qualquer entrega, e a conta de destino foi a "indicada pela suposta vendedora", conforme a Folha de Dourados, que não informa em nome de quem ela estava.
Esses três pontos, a mudança de canal, o Pix antecipado e a conta que ninguém conferiu, são os mesmos que apareceram no anúncio de retroescavadeira que custou R$ 122 mil a um comprador, também em Mato Grosso do Sul, com a diferença de que ali o anunciante era um desconhecido.
Houve outro golpe no mesmo dia?
Houve. No mesmo dia 22, a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Dourados atendeu uma segunda vítima, uma mulher de 26 anos que encontrou no Marketplace uma motocicleta anunciada por R$ 4,2 mil e transferiu o valor depois de negociar pela internet. Ela pediu a um familiar que fosse buscar o veículo em Fátima do Sul e, no endereço indicado, ele descobriu que o proprietário da moto não tinha negociado com ela e também aguardava um pagamento que não recebeu.
De acordo com o Dourados Informa, o registro policial aponta que o anúncio original foi usado por um falsário. É um roteiro diferente do primeiro, porque aqui o golpista se colocou entre o dono verdadeiro e a compradora, mas o resultado foi parecido, e as matérias somam em R$ 7,1 mil o prejuízo das duas mulheres. Só no caso do forno as reportagens falam em perfil invadido.
O dono do perfil invadido responde pelo anúncio?
O boletim de Dourados trata a dona do perfil como alguém que não participou da negociação, e é assim que a situação costuma se apresentar, com duas vítimas, a que pagou e a que teve a identidade usada. Para a dona do perfil, porém, o problema não acaba quando ela recupera a conta, porque enquanto o anúncio está no ar é o nome dela que aparece para os conhecidos, e pode ser a ela que os compradores enganados venham cobrar.
Por isso o registro importa. O boletim de ocorrência, os avisos de login que o próprio Facebook envia e os prints do anúncio que ela não publicou formam a prova de que a conta estava nas mãos de outra pessoa naquele período. Quando a recuperação demora, existe ainda a discussão sobre a responsabilidade da plataforma pela segurança da conta, que explicamos no caso da conta do Instagram invadida, sempre lembrando que cada decisão vale para o processo em que foi dada.
O que fazer agora
Se o seu perfil está anunciando o que você não pôs à venda:
- Tente recuperar a conta pelo fluxo oficial de conta invadida do Facebook, em facebook.com/hacked, troque a senha e encerre as sessões que você não reconhece.
- Ative a autenticação de dois fatores e confira nos avisos de login se há acesso de aparelho ou lugar estranho.
- Avise clientes, amigos e familiares por outro canal, como o WhatsApp ou o perfil de alguém próximo, dizendo que o anúncio não é seu e que ninguém deve pagar.
- Peça a quem viu o anúncio que denuncie a publicação e o perfil dentro do próprio Facebook, e guarde os prints com data.
- Registre boletim de ocorrência contando que a conta foi invadida e que há anúncios feitos em seu nome.
Se você pagou por um produto anunciado por um conhecido e ele sumiu:
- Avise o seu banco imediatamente, pelo canal oficial, e peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução do Pix.
- Procure o conhecido por outro meio, telefone ou pessoalmente, para confirmar se o anúncio era dele.
- Registre boletim de ocorrência com o link do anúncio, os prints da conversa, o número do WhatsApp e o comprovante com os dados da conta que recebeu.
Antes de pagar qualquer anúncio de conhecido, uma ligação de voz costuma bastar, porque quem invadiu o perfil não atende com a voz do dono, e quando o nome usado é o de uma empresa o roteiro é o que descrevemos em golpe usando o nome da marca no Facebook.
Perguntas frequentes
Meu perfil do Facebook foi invadido e está anunciando no Marketplace. O que faço primeiro?
Tente recuperar a conta pelo fluxo oficial de conta invadida, avise seus contatos por outro canal de que o anúncio não é seu e registre boletim de ocorrência. O registro mostra que a conta estava com outra pessoa.
Como o golpe do perfil invadido funcionou em Dourados?
Segundo o boletim de ocorrência noticiado em 23 de setembro de 2026, uma mulher de 38 anos viu no Marketplace o anúncio de um forno, negociou pelo WhatsApp achando que falava com uma conhecida e pagou R$ 2,9 mil por Pix. O perfil tinha sido invadido.
Paguei por Pix a um perfil invadido. Dá para recuperar o dinheiro?
Depende do caso. O caminho é avisar o banco na hora, pedir o Mecanismo Especial de Devolução e registrar boletim de ocorrência. Em Dourados, a vítima contestou o valor junto ao banco e pediu investigação.
Como confirmar que o anúncio é mesmo de quem aparece no perfil?
Fale com a pessoa por ligação de voz ou pessoalmente antes de pagar, e desconfie de pedido de Pix antecipado para conta em nome de terceiro.
Quem teve o perfil invadido pode ser cobrado pelo comprador enganado?
No caso de Dourados, o registro policial trata a dona do perfil como alguém que não participou da negociação. Guardar o boletim, os avisos de login e os prints ajuda a demonstrar isso, e cada situação pede análise individual.
