A MAC e o Cartão Atacadão viraram isca de golpe no Facebook no mesmo mês, e a sua marca pode ser a próxima
Falsas promoções com os nomes da MAC e do Cartão Atacadão circularam no Facebook em setembro de 2026. Veja como o golpe funciona e o que a marca deve fazer.

Golpistas estão usando nomes de marcas reais em falsas promoções no Facebook para cobrar taxas e capturar dados, e em setembro de 2026 a Agência Lupa identificou dois casos em três dias, um com o nome da MAC Cosmetics e outro com o nome do Cartão Atacadão. Se a sua marca aparecer numa oferta que você não fez, o caminho é guardar provas com data, denunciar a página na plataforma e avisar os clientes pelos seus canais oficiais, que foi o que as duas empresas fizeram ao responder que aquilo não era delas.
O público enganado é o consumidor, mas quem paga a conta da reputação é a marca, e isso vale tanto para grandes empresas quanto para a loja de bairro com perfil conhecido.
Como funcionava a falsa promoção da MAC?
Segundo a Agência Lupa, em 1º de setembro de 2026, circulava no Facebook, com mais de 172 mil visualizações, uma publicação que prometia um kit de maquiagem da MAC avaliado em até R$ 2 mil de graça. A página falsa exibia vídeos gerados por inteligência artificial simulando depoimentos de pessoas que teriam recebido os produtos, levava a um questionário sobre preferências de maquiagem e, no fim, cobrava uma taxa de entrega de R$ 46,89 por Pix, com opção de cartão.
A MAC informou à Lupa que não há nenhuma ação, promoção ou página fora dos canais oficiais da marca ou de parceiros credenciados, e recomendou acompanhar as novidades exclusivamente pelo site oficial e pelas redes sociais verificadas.
E o golpe com o nome do Cartão Atacadão?
Três dias depois, em 4 de setembro de 2026, a Lupa mostrou outra publicação no Facebook, agora com o nome do Cartão Atacadão, que prometia resgate de R$ 500 a R$ 1 mil, crédito rápido e liberação fácil. Os links levavam a endereços que imitavam o portal do cartão, como atacadaomaislimite.com e hj-resgatecf.online, enquanto o endereço oficial é cartaoatacadao.com.br.
O Banco Carrefour, responsável pelo cartão, afirmou que não tem qualquer parceria, vínculo ou autorização com os responsáveis pelas publicações e pelos sites, e que aquele conteúdo não faz parte dos canais oficiais do Cartão Atacadão e pode ser uma tentativa de fraude.
Por que o golpe usa marcas conhecidas?
Porque a marca faz o trabalho de convencimento. Quem já confia no nome não confere o endereço do site, e um presente de R$ 2 mil em troca de um frete de R$ 46,89 parece um bom negócio para quem acredita que a oferta é da empresa. Os vídeos com depoimentos gerados por IA, que a Lupa identificou no caso da MAC, reforçam a sensação de que outras pessoas já receberam.
Uma leitura nossa, e não da checagem, é que o golpe não precisa ser sofisticado para dar certo em escala. Basta que uma pequena parte das 172 mil pessoas que viram a publicação pague a taxa para que a operação compense, e cada uma dessas pessoas passa a associar a marca a um prejuízo.
A marca responde pelo golpe feito com o nome dela?
Em regra, quem responde pelo golpe é quem o aplicou, e a marca é também vítima, porque teve o nome usado sem autorização. Na prática, porém, o cliente enganado costuma procurar a empresa, e a forma como ela reage conta. Responder rápido, avisar publicamente e indicar os canais oficiais protege o cliente e ajuda a mostrar que a empresa não tem relação com a fraude.
A responsabilidade da plataforma que mantém no ar uma página fraudulenta depois de denunciada é outra discussão, que mudou com o julgamento do STF sobre o Marco Civil, como explicamos em a plataforma dizia que sem ordem judicial não podia fazer nada, e com decisões que passaram a olhar para a denúncia ignorada, como a do TJRS sobre o botão de denúncia que nunca resolve.
Como a marca deve reagir quando vê o nome num golpe?
Com prova primeiro e comunicação logo em seguida. O link da publicação, o nome e o endereço da página, os prints com data e hora e o endereço do site falso são o que sustenta qualquer denúncia na plataforma, boletim de ocorrência ou medida posterior. Denúncias feitas sem esse registro se perdem quando a página some ou muda de nome.
O uso do nome de terceiros também aparece em outros golpes que já acompanhamos, como a denúncia falsa de direitos autorais no Instagram, e a lógica de defesa é parecida: registrar, denunciar pelos canais da plataforma e guardar cada resposta recebida.
O que fazer agora
Se você tem marca, loja ou perfil conhecido, alguns cuidados ajudam antes e depois do golpe.
- Deixe claro nos seus perfis e no site quais são os canais oficiais da empresa, com endereço do site e número de WhatsApp.
- Pesquise o nome da marca de tempos em tempos nas redes e na biblioteca de anúncios da plataforma.
- Ao achar uma oferta falsa, guarde link, prints com data e hora e o endereço do site antes de denunciar.
- Denuncie a página na própria plataforma e guarde o protocolo e cada resposta.
- Avise os clientes pelos canais oficiais de que a promoção não é sua.
- Registre boletim de ocorrência se houver clientes lesados ou se a página continuar no ar.
Cada caso depende do tipo de uso da marca e das provas reunidas, e isso merece análise individual.
Perguntas frequentes
A promoção da MAC com kit grátis era verdadeira?
Não. A MAC afirmou à Agência Lupa que não havia nenhuma ação, promoção ou página fora dos seus canais oficiais.
Quanto a página falsa cobrava?
Uma taxa de entrega de R$ 46,89 por Pix, com opção de cartão, depois de um questionário sobre maquiagem.
O Cartão Atacadão oferece resgate de R$ 500 a R$ 1 mil pelo Facebook?
Não. O Banco Carrefour afirmou que não tem parceria nem autorização com os responsáveis pelas publicações e que o endereço oficial é cartaoatacadao.com.br.
O que fazer se encontrei uma página falsa usando o nome da minha loja?
Guarde link e prints com data, denuncie a página na plataforma, avise seus clientes pelos canais oficiais e registre boletim de ocorrência se houver vítimas.
A marca pode ser responsabilizada pelo golpe feito com o nome dela?
Em regra quem responde é quem aplicou o golpe, e a marca também é vítima. Cada caso, porém, depende dos fatos e merece análise individual.
