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7 min de leitura

A entrevista de 30 minutos na Meta tinha horário marcado, e o login do Facebook era falso

Páginas falsas do Calendly com o título Meta Careers marcam entrevista de 30 minutos e pedem senha e código do Facebook e a senha do Google, diz a Malwarebytes.

Mulher brasileira de quase trinta anos sentada à noite numa pequena mesa de escritório em casa, inclinada para o notebook com um sorriso esperançoso e um pouco ansioso, como quem se prepara para uma entrevista de emprego, com um currículo impresso e um copo de água ao lado, sob a luz quente de um abajur

Uma página que imita o agendamento do Calendly, com o título Meta Careers, oferece uma entrevista de 30 minutos com um recrutador da Meta e, depois que a pessoa escolhe o horário e passa os dados, pede para entrar com o Facebook, numa janela falsa desenhada dentro do próprio site, onde ficam a senha, o código de segurança e, em seguida, a senha do Google. Quem descreveu a campanha foi a empresa de segurança Malwarebytes, em publicação de 14 de outubro de 2026, que encontrou 11 endereços com o mesmo padrão e afirma que as páginas não têm ligação com a Meta, o Calendly ou o Google.

Escrevo sobre isso porque a conta pessoal do Facebook costuma ser a porta de entrada para a página da empresa e para a conta de anúncios, e a própria Malwarebytes lembra que as contas ligadas a páginas de empresa e a contas de anúncio são as que mais interessam a quem rouba. Li a análise inteira, na versão em inglês e na versão em português traduzida pela empresa, e conto abaixo só o que ela descreve.

Como funciona o golpe da falsa entrevista na Meta?

A página copia a tela de agendamento do Calendly, ferramenta que recrutadores de verdade usam para marcar entrevistas, e mostra um calendário do mês, a escolha de fuso horário e uma ligação de 30 minutos. Segundo a Malwarebytes, os horários disponíveis vêm do servidor dos criminosos, o que faz a agenda parecer a de um recrutador real.

Depois de escolher o horário, a pessoa passa por uma sequência de telas. Primeiro um formulário pede nome, e-mail e telefone, depois aparece um falso teste de robô com uma grade de imagens, que dá aparência de site legítimo e, segundo os pesquisadores, pode ainda atrapalhar ferramentas automáticas de segurança. Só então surge o pedido para entrar com o Facebook. No fim, a página diz que o convite foi enviado e que a resposta chega em 90 minutos, e a Malwarebytes observa que, quando a pessoa começa a desconfiar, os criminosos podem já estar dentro das contas.

Por que a janela de login parece verdadeira?

Porque ela não é uma janela do navegador, e sim um desenho feito dentro da própria página. Segundo a Malwarebytes, a janela copia a tela de login do Facebook e desenha uma barra de endereço falsa mostrando um endereço do Facebook, com mensagens de erro realistas, como a de que a senha digitada está incorreta. A técnica é a mesma que descrevi no caso da falsa ferramenta de IA que rouba conta de anúncios, em que a janela de login do Google também era desenhada dentro do site.

A empresa explica ainda por que tanta gente segue em frente. Marcar entrevista por link é rotina, não exige criar conta nem baixar nada, e quando o pedido estranho aparece a pessoa já escolheu o horário e já entregou os dados, o que torna mais fácil dar mais um passo do que desconfiar de tudo. Para quem manda currículo atrás de currículo sem resposta, um convite da Meta é exatamente o tipo de mensagem que se espera, e a pressa de não perder a chance faz a pessoa deixar de conferir quem mandou o link.

A verificação em duas etapas protege nesse golpe?

Não basta, porque o código também é pedido em tempo real. Segundo a Malwarebytes, enquanto a vítima está na página, o site consulta o servidor dos criminosos para saber qual tela mostrar, o que permite a eles testar a senha no Facebook verdadeiro na mesma hora. Se o Facebook pede um código, a página falsa pede o mesmo código à vítima, que pode chegar por aplicativo, SMS, WhatsApp ou e-mail, e os criminosos podem usá-lo antes que expire. Se não funciona, a página pede de novo.

O mesmo vale para o Google. A página afirma que o Facebook exige entrar no Gmail da conta, mostra telas falsas do Google, também com barra de endereço desenhada, e pede a senha e o que mais o Google solicitar, inclusive a aprovação no celular. A Malwarebytes recomenda manter os códigos ligados, porque eles continuam dificultando a invasão, e aponta as chaves de acesso e as chaves físicas de segurança como proteção contra esse tipo de página, já que ficam presas ao site verdadeiro. O mesmo raciocínio do código entregue a quem não deveria apareceu no golpe do código de verificação do WhatsApp da empresa.

Por que isso importa para quem tem empresa?

A Malwarebytes afirma que contas do Facebook ligadas a páginas de empresa e a contas de anúncio são valiosas para criminosos, e que tomar também a conta do Google pode expor o e-mail e permitir trocar a senha de outras contas ligadas àquele endereço. Para quem administra a página de uma loja ou os anúncios de um cliente, a conta pessoal que entrou na falsa entrevista pode ser a mesma que dá acesso ao negócio. Um perfil invadido também pode ser usado contra terceiros, como no caso do perfil invadido que anunciava no Marketplace do Facebook.

A empresa também observa que os 11 endereços seguem o mesmo padrão de nome genérico de recrutamento e nenhum cita o Calendly ou a Meta, e que esses nomes podem ser reaproveitados para vagas de outras empresas.

O que fazer agora

Separei as orientações que a própria Malwarebytes dá, na ordem em que fazem sentido para quem cuida de uma página ou de anúncios.

  1. Não digite a senha do Facebook em página de agendamento ou formulário de vaga. Marcar uma ligação não exige a senha de rede social.
  2. Confira o endereço na barra real do navegador, e não o que aparece dentro da página. Segundo a empresa, uma janela de login que não pode ser arrastada para fora da página provavelmente faz parte dela.
  3. Confirme a vaga no site oficial de carreiras da empresa e o contato do recrutador por um canal independente, porque uma vaga real não prova que quem mandou o link fala pela empresa.
  4. Não informe código nem aprove pedido de login que você não iniciou, mesmo que a página ou o recrutador peça.
  5. Se já digitou a senha, entre direto no serviço por um aparelho confiável, troque a senha, encerre as outras sessões, confira e-mail e telefone de recuperação, revise as páginas e contas de anúncio que administra e troque a senha onde ela se repetia. Se a conta do Google também foi atingida, a Malwarebytes recomenda cuidar dela logo e conferir regras de encaminhamento e filtros no Gmail.

Guarde prints da página falsa, do endereço e das mensagens, com data, porque o que acontece com cada conta depende das provas daquele caso, que precisam ser analisadas individualmente.

Perguntas frequentes

O que é o golpe da falsa entrevista na Meta?

São páginas que imitam o agendamento do Calendly com o título Meta Careers, oferecem uma ligação de 30 minutos com um recrutador e, depois de pedir nome, e-mail e telefone, pedem login do Facebook e do Google numa janela falsa. A Malwarebytes descreveu a campanha em 14 de outubro de 2026.

A Meta ou o Calendly estão envolvidos?

Não, segundo a Malwarebytes. A empresa afirma que as páginas não têm ligação com a Meta, o Calendly ou o Google, e que os endereços usados não citam nenhuma dessas marcas.

Quantos sites foram encontrados?

A Malwarebytes encontrou 11 endereços com o mesmo padrão de nome, formado pela palavra join e um termo de recrutamento. A empresa não informou número de vítimas.

Como saber se a janela de login do Facebook é falsa?

Olhe a barra de endereço do próprio navegador, e não a que aparece dentro da página. Segundo a Malwarebytes, nesse golpe a barra com o endereço do Facebook é desenhada pelo site, e a janela não pode ser arrastada para fora da página.

Digitei a senha e o código. O que faço primeiro?

A orientação da Malwarebytes é entrar direto no serviço por um aparelho confiável, trocar a senha, encerrar as outras sessões e conferir os dados de recuperação. Quem administra página de empresa ou conta de anúncio deve revisar também esses acessos.

Fontes

Conteúdo informativo. Não constitui consulta nem parecer jurídico, e não substitui a análise individual do seu caso. O processo é atividade de meio: nenhuma medida garante resultado específico.

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