Golpe da falsa atualização do app da usina solar liga para os clientes da instaladora
Clientes de energia solar recebem ligação pedindo para atualizar o app de monitoramento da usina por link. Veja como o golpe funciona e como a empresa avisa.

O golpe da falsa atualização do aplicativo da usina solar é uma ligação ou mensagem em nome da instaladora que diz que o aplicativo de monitoramento vai deixar de funcionar e manda o cliente atualizar por um link ou instalar um suposto aplicativo novo. O alerta foi feito em 15 de outubro de 2026 pelo empresário Alexandre Gritti, da Solar Clean, de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, e foi publicado no mesmo dia pelo SB24Horas e pelo SB Notícias.
Escrevo sobre este caso porque ele inverte o lugar de quem sofre o golpe, já que a empresa não é atacada diretamente e mesmo assim tem o nome, o logotipo e até os funcionários usados contra a própria carteira de clientes. Li as duas matérias inteiras para separar o que o empresário relatou do que ainda não se sabe, e o que segue fica dentro do que as fontes trazem.
Como funciona o golpe da atualização do app da usina solar?
Segundo o SB24Horas, os criminosos procuram quem tem energia solar por telefone ou pelo WhatsApp e dizem que a versão atual do aplicativo de monitoramento da usina deixará de funcionar, de modo que a pessoa precisaria atualizar o sistema abrindo um link ou instalando um aplicativo novo. O SB Notícias descreve a mesma abordagem como um pedido de "atualização do aplicativo de monitoramento da usina fotovoltaica", seguido da orientação de clicar em links ou seguir procedimentos pelo celular.
O pedido parece técnico e rotineiro, porque o dono da usina de fato usa um aplicativo para acompanhar a geração de energia, e por isso a ligação não soa estranha para quem está acostumado a receber avisos da instaladora.
Por que o cliente acredita na ligação?
O cliente acredita porque quem liga sabe que ele tem energia solar e usa o nome de empresas do setor, o logotipo e até o nome de pessoas ligadas à instaladora, o que dá à conversa a aparência de um atendimento de verdade. Gritti levantou a hipótese de que os dados tenham saído de alguma base do setor elétrico, mas a origem não foi confirmada nem atribuída a nenhuma empresa, e por isso não trato a hipótese como fato.
Esse é o mesmo mecanismo que aparece no golpe que usa o nome da marca no Facebook, em que a credibilidade construída pela empresa vira a isca, e quem cai acaba culpando a marca que nada tinha a ver com o contato.
Quantos clientes foram atingidos?
Aqui as fontes não batem, e prefiro registrar a diferença em vez de escolher um número. O SB24Horas fala em dezenas de clientes com ligações suspeitas num único dia e traz a fala de Gritti de que mais de 20 ou 30 clientes dele receberam a ligação, enquanto o SB Notícias registra mais de 15 clientes no dia 15. O que as duas concordam é que o volume chegou a muitos clientes no mesmo dia, o que indica uma lista e não ligações ao acaso.
Gritti afirma ainda que outras empresas enfrentam o mesmo, e cita a Intag, de Americana, o que mostra que a abordagem não se limita a uma instaladora só.
Houve prejuízo para quem seguiu as instruções?
Até a publicação das matérias não se sabia quantos clientes seguiram as instruções, se houve prejuízo financeiro nem quais dados foram acessados, e o número citado se refere a quem recebeu a ligação. O risco descrito pelo SB24Horas é o de instalar um aplicativo fraudulento ou liberar permissões que podem expor informações pessoais e financeiras, porque um aplicativo de fora da loja oficial, com acesso ao celular, pode ler mensagens e códigos que chegam ao aparelho.
Por isso o cuidado com o código de confirmação pesa tanto, assim como no golpe do código de verificação do WhatsApp da empresa, em que um número de seis dígitos repassado por telefone basta para o golpista tomar a conta.
O que a lei diz sobre esse tipo de golpe?
O Código Penal prevê no artigo 171, parágrafo 2º-A, a fraude eletrônica, que é o estelionato cometido com informações fornecidas pela vítima induzida a erro por contato telefônico, redes sociais ou mensagem fraudulenta, e é nesse tipo que costuma se encaixar a ligação que convence o cliente a instalar um aplicativo falso. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei 13.709/2018, exige no artigo 46 que quem trata dados pessoais adote medidas de segurança contra acessos não autorizados, o que só passa a importar neste caso se ficar demonstrado de onde a lista saiu, algo que até agora ninguém confirmou.
Para a instaladora, o ponto prático é que o nome dela está sendo usado sem autorização, e guardar os relatos dos clientes com data, número de origem e conteúdo da mensagem é o que permite registrar a ocorrência e mostrar depois que a empresa avisou a carteira.
O que fazer agora
Se você vende ou instala energia solar, o aviso precisa chegar ao cliente antes do golpista, e se você tem usina, a regra é confirmar antes de clicar.
- Avise a carteira pelos canais oficiais de que a empresa não pede atualização do aplicativo por link nem por ligação, e diga qual é o único canal de atendimento.
- Confirme com a instaladora por um número que você já conhece, e não pelo número que ligou, antes de abrir qualquer link ou instalar qualquer aplicativo, como recomenda o próprio Gritti.
- Não passe código de confirmação nem senha a ninguém, por mais que a pessoa saiba seus dados.
- Não permita acesso remoto ao celular a quem você não identificou, porque é esse acesso que expõe dados pessoais e financeiros.
- Se já instalou um aplicativo suspeito, pare de usá-lo, busque orientação técnica e, se houver risco aos dados bancários, procure o banco imediatamente, guardando as mensagens e os números de telefone, como orienta o SB24Horas.
- Registre a ocorrência com prints da conversa, o mesmo cuidado descrito no golpe da atualização cadastral do banco.
O que acontece em cada caso depende das provas reunidas, que precisam ser analisadas individualmente.
Perguntas frequentes
O que é o golpe da falsa atualização do app de energia solar?
É uma ligação ou mensagem em nome da instaladora que diz que o aplicativo de monitoramento da usina solar vai deixar de funcionar e orienta o cliente a atualizar por um link ou instalar um aplicativo novo. O alerta foi feito em 15 de outubro de 2026 por Alexandre Gritti, da Solar Clean, de Santa Bárbara d'Oeste.
Como o golpista sabe que eu tenho energia solar?
A origem dos dados não foi confirmada. O empresário levantou a hipótese de que tenham saído de alguma base do setor elétrico, mas isso não foi comprovado nem atribuído a nenhuma empresa.
A instaladora pede atualização do aplicativo por link?
Gritti orienta os clientes a não clicar em links nem instalar aplicativos sem antes confirmar diretamente com a empresa responsável pelo sistema. A forma segura é ligar para a instaladora por um número que você já conhece.
Outras empresas de energia solar foram usadas no golpe?
Segundo Gritti, sim, e ele cita a Intag, de Americana, também no interior de São Paulo. O SB Notícias registra que o golpe pode estar sendo aplicado com o nome de outras empresas do setor.
Instalei o aplicativo que pediram, e agora?
O SB24Horas orienta parar de usar o aplicativo e buscar orientação técnica. Se houver suspeita de exposição de dados bancários, procure o banco imediatamente e guarde as mensagens e os números de telefone usados no contato.
Fontes
- SB24Horas, 15/10/2026, golpe da falsa atualização de aplicativos ameaça clientes de energia solar
- SB Notícias, 15/10/2026, empresário de Santa Bárbara alerta para golpes envolvendo sistemas fotovoltaicos
- Código Penal, Decreto-Lei 2.848/1940, artigo 171, parágrafo 2º-A
- Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei 13.709/2018, artigo 46
