Criaram perfis e um site com o nome de uma loja de Candói, e foi o próprio dono quem levou o caso à polícia
Em Candói, no Paraná, criminosos usaram o nome de uma loja em perfis e sites falsos e receberam cerca de R$ 15 mil. Veja como o caso começou e o que guardar.

Quando alguém cria perfis e um site com o nome da sua loja para vender no lugar dela, o caminho que abriu a investigação em Candói, no Centro-Sul do Paraná, foi o dono do estabelecimento denunciar a cópia à Polícia Civil, que em 15 de outubro de 2026 cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra o grupo suspeito. Segundo o delegado Ramon Galvão Zeferino, ouvido pela CGN, os investigados teriam recebido aproximadamente R$ 15 mil das vítimas.
Escrevo sobre esse caso porque ele mostra o golpe do lado de quem tem a loja, e não só de quem comprou. Já tratei de marcas grandes usadas como isca no Facebook e de uma cópia do site da Leroy Merlin, e aqui a vítima do nome é um comércio do interior, sem departamento jurídico e sem equipe de segurança. Li a matéria da CGN e a do Agora Litoral, ambas de 15 de outubro, para separar o que a polícia afirmou do que ainda não se sabe.
Como funcionava o golpe com o nome da loja?
Segundo a CGN, os investigados criaram perfis em redes sociais e sites que simulavam os canais oficiais da empresa, e por esses canais entravam em contato com possíveis compradores oferecendo produtos como se representassem o estabelecimento verdadeiro. O Agora Litoral descreve a mesma estrutura como páginas clonadas e contas falsas que simulavam a marca oficial.
O cliente via o nome que já conhecia, conversava com alguém que parecia atender pela loja e recebia uma oferta que fazia sentido, e por isso a confiança vinha pronta, construída ao longo dos anos pelo dono de verdade. As matérias não dizem o nome da loja, o ramo dela nem qual rede social foi usada, e eu também não vou supor.
Onde estava o dinheiro?
O pagamento ia para contas bancárias indicadas pelos suspeitos, e não para a conta da empresa. Nas palavras do delegado à CGN, as vítimas pagavam acreditando que estavam adquirindo mercadorias da loja, e o grupo teria recebido aproximadamente R$ 15 mil. As duas matérias falam em prejuízo estimado em R$ 15 mil, o que significa que o número é uma estimativa da investigação, e não um valor fechado.
Esse detalhe é o ponto que mais ajuda quem compra a desconfiar, porque a loja pode ter o nome certo na tela, mas a conta que recebe o pagamento é sempre a pista que o golpista não consegue copiar.
O que a polícia fez até agora?
Em 15 de outubro de 2026, uma quinta-feira, a Polícia Civil do Paraná cumpriu dois mandados de busca e apreensão e apreendeu aparelhos eletrônicos e documentos que, segundo a CGN, poderão contribuir para o andamento das investigações. Entre os crimes investigados estão o estelionato e a associação criminosa, previstos nos artigos 171 e 288 do Código Penal.
A investigação segue para identificar todos os envolvidos e localizar outras possíveis vítimas. Até 23 de outubro de 2026, quando conferi, não localizei notícia de prisão, de indiciamento ou de denúncia do Ministério Público no caso, e por isso trato todos como investigados.
Por que a denúncia do dono fez diferença?
Segundo a CGN, a ação foi deflagrada depois que um empresário da cidade denunciou que criminosos estavam usando indevidamente o nome do estabelecimento dele para realizar vendas fraudulentas. Quem percebe primeiro a cópia costuma ser o próprio dono, porque é ele quem recebe a ligação do cliente reclamando de um pedido que a loja nunca vendeu, e o registro dessa reclamação vira o primeiro elemento da investigação.
Para o comerciante, há ainda outro motivo para agir cedo. O cliente enganado tende a culpar a loja que conhece, e o registro feito pelo dono, com data, mostra que a empresa também foi vítima do uso do nome e não participou da venda.
A loja responde pelo prejuízo de quem caiu no golpe?
Não existe resposta única, porque depende de como o golpe aconteceu, de que canal o cliente usou e do que a loja sabia e fez. O que o caso de Candói mostra é que a empresa cujo nome foi usado aparece nas matérias como vítima do uso indevido do nome, e não como parte do esquema, e é exatamente essa posição que o registro da ocorrência, os prints e os avisos públicos ajudam a documentar.
Quando o golpe envolve a conta de pagamento de outra pessoa, também entra na conversa a responsabilidade do banco e da plataforma onde o perfil falso estava, assunto que depende das provas de cada caso e da jurisprudência, como a que tratei sobre a decisão do STF sobre o artigo 19 do Marco Civil.
Dá para derrubar o site e os perfis falsos?
As redes sociais têm canais próprios para denunciar perfil que se passa por empresa, e o pedido costuma andar melhor quando vem do titular da marca, com prova de que o nome é dele. Se o site falso usa domínio terminado em .br, o Registro.br mantém o SACI-Adm, um procedimento administrativo para disputas de domínio que envolvam, por exemplo, marca registrada ou nome empresarial. Quando a denúncia administrativa não resolve, o caminho passa pela análise do caso e, se for o caso, pelo Judiciário, e o que cada medida alcança depende das provas reunidas.
O que fazer agora
Comece pelo primeiro item, porque foi ele que abriu a investigação em Candói.
- Registre a ocorrência assim que souber da cópia, com o endereço do site, o nome de cada perfil e o relato dos clientes que procuraram a loja.
- Guarde print com data e endereço de cada perfil, página, anúncio e conversa, antes que sejam apagados.
- Anote os dados das contas de pagamento que os golpistas passaram aos clientes, porque elas mostram para onde o dinheiro foi.
- Publique nos canais oficiais qual é o site da loja, quais são os perfis verdadeiros e qual conta recebe pagamento, para que o cliente consiga conferir antes de pagar.
- Pesquise o nome da loja de tempos em tempos nas redes sociais e nos buscadores, porque quem acha a cópia cedo reduz o número de clientes enganados.
- Denuncie cada perfil e cada site pelo canal da plataforma e do domínio, guardando o protocolo de cada pedido.
O que acontece em cada caso depende das provas daquele caso, que precisam ser analisadas individualmente.
Perguntas frequentes
O que aconteceu em Candói?
Segundo a CGN e o Agora Litoral, um grupo usou o nome de uma loja de Candói, no Paraná, em perfis de redes sociais e em sites que imitavam os canais oficiais, e vendia produtos como se fosse a empresa. Em 15 de outubro de 2026 a Polícia Civil cumpriu dois mandados de busca e apreensão.
Quanto os golpistas receberam?
O delegado Ramon Galvão Zeferino disse à CGN que os investigados teriam recebido aproximadamente R$ 15 mil. As duas matérias tratam o valor como prejuízo estimado, e não como número fechado.
Quais crimes estão sendo investigados?
Segundo a CGN, entre os crimes investigados estão o estelionato e a associação criminosa, previstos nos artigos 171 e 288 do Código Penal. Até 23 de outubro de 2026 não localizei notícia de prisão ou denúncia no caso.
Como saber se um site ou perfil é mesmo da loja?
Confira se o endereço do site e o perfil aparecem nos canais que a loja já usa há tempo, e desconfie quando o pagamento vai para conta em nome de outra pessoa. Em Candói, segundo a polícia, o dinheiro ia para contas indicadas pelos suspeitos.
O dono da loja precisa registrar ocorrência mesmo sem ter perdido dinheiro?
O registro documenta que o nome da empresa foi usado sem autorização e em que data a loja ficou sabendo. Em Candói, foi a denúncia do empresário que deu início à investigação.
