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7 min de leitura

O vídeo era do chalé de verdade, o anúncio era de outro perfil e a hóspede chegou a Pirenópolis sem reserva

Golpistas usaram o vídeo real de um chalé de Pirenópolis em anúncio pago de perfil falso no Instagram. Veja o que o hóspede e o dono da pousada podem fazer.

Mulher de quase trinta anos parada com uma mala pequena no portão de madeira de um chalé rústico no cerrado, no fim da tarde, olhando desanimada para o celular enquanto um atendente ao fundo faz que não com a cabeça

No golpe da falsa reserva, o golpista pega o vídeo e as fotos que a própria hospedagem publicou, patrocina esse material num perfil que não é o dela e atende pelo WhatsApp quem clica no anúncio, até receber o Pix. Foi o que uma influenciadora de Brasília contou ter vivido no fim de semana do feriado de 7 de setembro de 2026, quando chegou a Pirenópolis, em Goiás, com a hospedagem paga, cerca de R$ 1.900, e ouviu no chalé que não havia reserva em seu nome.

O relato saiu no Portal 6, em 19 de setembro de 2026, no Diário do Estado, em 10 de setembro, e no Correio Braziliense, em 14 de setembro. Li as três matérias inteiras e fui também à Central de Ajuda do Instagram e ao Banco Central, porque as reportagens falam com quem reserva e quase nada dizem ao dono do estabelecimento que descobre o próprio vídeo no anúncio de outro perfil.

O que aconteceu em Pirenópolis?

Segundo o Portal 6, o anúncio patrocinado mostrava o chalé e a piscina num vídeo de aparência profissional, e o clique levava ao WhatsApp de pessoas que se apresentavam como responsáveis pela hospedagem. O Correio Braziliense registra que o anúncio estava no Instagram e que os atendentes mandaram imagens e um contrato. Ela contou que ninguém a pressionou, que o pagamento no cartão deu erro várias vezes e que então pagou o valor integral por Pix, para um CNPJ de outro estado.

Ao chegar, ouviu dos responsáveis que a hospedagem existia, que eles não tinham feito aquela reserva e que o perfil da negociação não era o oficial. O Diário do Estado acrescenta que a administração do chalé informou a ela que as imagens do local estavam sendo usadas indevidamente por golpistas e que não era a primeira vez, e que a ocorrência registrada na Delegacia Virtual foi encaminhada à Delegacia de Polícia de Pirenópolis como suspeita de estelionato. Até o fechamento deste texto, não encontrei notícia de identificação dos autores nem manifestação pública do estabelecimento.

Por que o anúncio com o vídeo verdadeiro convence?

Porque o lugar existe, o vídeo foi feito pelo próprio estabelecimento e o atendimento é paciente, de modo que cada conferência que o hóspede faz acaba confirmando a história do golpista. A própria vítima avalia, segundo o Portal 6, que pegaram o vídeo original e o patrocinaram numa conta falsa, o que é uma hipótese dela, e não uma conclusão da polícia.

Pirenópolis já conhecia esse roteiro, porque em 16 de dezembro de 2025 a Tribuna do Planalto noticiou uma operação policial contra um grupo suspeito de clonar sites e perfis de pousadas da cidade, principalmente no Instagram, com negociação pelo WhatsApp, Pix antecipado e contratos falsos. Nenhuma fonte liga o caso de setembro de 2026 a esse grupo, mas o histórico ajuda a entender por que a administração do chalé disse que não era a primeira vez.

Como conferir uma reserva que veio de anúncio?

O especialista ouvido pelo Correio Braziliense recomenda verificar avaliações reais de hóspedes anteriores, desconfiar de perfis recém-criados ou com pouca interação e não concluir a negociação fora do ambiente em que o anúncio apareceu. O turismólogo ouvido pelo Metrópoles, numa coluna de 6 de setembro de 2026 sobre outro golpe de reserva, em Fernando de Noronha, orienta conferir telefone, WhatsApp e e-mail no site oficial do estabelecimento e, na hora do Pix, verificar o beneficiário, o CNPJ e a razão social.

No caso de Pirenópolis, na nossa leitura, o sinal que dava para checar estava no pagamento, porque um CNPJ de outro estado recebendo a diária de um chalé goiano é uma divergência que a tela do banco mostra antes da confirmação.

O que o dono da pousada pode fazer quando vê o próprio vídeo num anúncio?

A primeira providência é guardar prova antes de denunciar, com capturas de tela datadas do anúncio e do perfil e a publicação original, que mostra quem postou primeiro, e a Central de Ajuda do Instagram pede, na denúncia de anúncio, um link direto para ele ou, na falta do link, uma captura de tela.

A segunda é denunciar o anúncio, e pela mesma página o caminho é tocar em Opções no canto superior direito do post patrocinado, escolher Denunciar anúncio e marcar que ele viola direitos de propriedade intelectual. O vídeo e as fotos são obras protegidas pelo artigo 7º da Lei 9.610/1998, e o uso depende de autorização prévia e expressa do autor, conforme o artigo 29. O Instagram avisa, porém, na página de direitos autorais, que só o detentor dos direitos ou seu representante autorizado pode denunciar e que costuma repassar o nome e o e-mail do denunciante a quem postou o conteúdo, de modo que, se o vídeo foi gravado por um profissional de fora, vale conferir com ele quem ficou com os direitos.

A terceira é denunciar o perfil, porque a página de contas impostoras diz que pode ser denunciada a conta que finge ser uma empresa ou organização, pelo caminho Opções, Denunciar, Denunciar conta e Está fingindo ser outra pessoa. Cada denúncia registrada pode servir de prova, como mostramos em o botão de denúncia que virou prova no TJRS, e um caso de conta falsa suspensa por liminar está em perfil falso no Instagram com minhas fotos.

A quarta é avisar os clientes e registrar ocorrência, porque os especialistas mandam o hóspede conferir o contato no site oficial e é o aviso fixado no perfil e no site verdadeiros, com os canais de reserva, que faz essa conferência funcionar, enquanto o boletim de ocorrência deixa registrado que o estabelecimento não tem relação com o anúncio. Nenhuma dessas medidas assegura que o anúncio saia do ar, nem em quanto tempo.

O que fazer agora

Se você pagou a reserva e descobriu o golpe:

  1. Avise o seu banco na hora e peça a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução do Pix. O Banco Central informa que o pedido deve ser registrado em até 80 dias da data do Pix e que a devolução depende de haver recurso na conta de quem recebeu.
  2. Guarde o anúncio, a conversa, o contrato e o comprovante.
  3. Registre boletim de ocorrência na Polícia Civil do seu estado. A Delegacia Virtual do Ministério da Justiça atende doze estados e, para os demais, como Goiás, orienta procurar o serviço on-line do próprio estado.
  4. Avise a hospedagem verdadeira de que o anúncio está no ar.

Se você é dono do estabelecimento, siga a ordem da seção anterior, com prova, denúncia do anúncio, denúncia do perfil, aviso aos clientes e boletim de ocorrência, guardando cada protocolo.

Cada caso depende das provas e da resposta da plataforma e do banco, e merece análise individual.

Perguntas frequentes

O que é o golpe da falsa reserva de pousada no Instagram?

É quando um perfil que não é o da hospedagem usa fotos e vídeos reais do lugar, muitas vezes em anúncio patrocinado, negocia pelo WhatsApp e recebe por Pix, e o hóspede só descobre ao chegar.

Usaram o vídeo da minha pousada num anúncio de outro perfil. O que faço?

Guarde o link e as capturas de tela, denuncie o anúncio por violação de propriedade intelectual e o perfil por se passar pela sua empresa, avise os clientes e registre boletim de ocorrência.

Paguei a reserva por Pix e era golpe. Dá para pedir o dinheiro de volta?

Dá para pedir. O Banco Central informa que o pedido deve ser feito ao seu banco em até 80 dias da data do Pix, e a devolução depende de haver recurso na conta de quem recebeu.

A pousada responde pela reserva falsa feita com as imagens dela?

Em regra, responde quem aplicou o golpe, e o estabelecimento também teve as imagens usadas sem autorização, mas cada caso depende dos fatos e das provas.

Fontes

Conteúdo informativo. Não constitui consulta nem parecer jurídico, e não substitui a análise individual do seu caso. O processo é atividade de meio: nenhuma medida garante resultado específico.

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