A pesquisa com o nome da WePink prometia R$ 830 por oito respostas e cobrava R$ 19,95 de taxa para liberar o dinheiro
A pesquisa que paga R$ 830 em nome da WePink é golpe: o site imita a marca e cobra R$ 19,95 de taxa antifraude por Pix. Empresa séria não cobra por prêmio.

A suposta pesquisa da WePink que paga mais de R$ 800 a quem responde é golpe: o Projeto Comprova mostrou, em 5 de outubro de 2026, que perfis no Threads levam a um site que imita a marca, fazem oito perguntas, mostram um saldo subindo até R$ 830 e, no fim, cobram R$ 19,95 por Pix como taxa antifraude para liberar um dinheiro que usuários relatam nunca ter recebido. O alerta serve a quem recebe a oferta e também a quem tem marca conhecida, porque o nome da empresa é a isca.
A verificação do Comprova foi publicada no GZH e no SBT News, e o Porto Alegre 24 Horas repercutiu o caso em 6 de outubro. Os números deste artigo são os das matérias.
Como funciona a falsa pesquisa da WePink?
Segundo o Comprova, perfis no Threads, a rede ligada ao Instagram, divulgam uma campanha da WePink que pagaria mais de R$ 800 a quem respondesse uma pesquisa sobre a marca. O link leva a um site que simula a identidade visual da empresa. Ali, a pessoa informa o perfil no Threads e responde a oito perguntas, e a cada resposta um saldo que começa em R$ 0 sobe até R$ 830.
No fim aparece uma mensagem de parabéns e um cronômetro de menos de 24 horas para o benefício expirar. Quando a pessoa clica para resgatar e informa uma chave Pix, vai para uma página de desbloqueio de saldo, com um vídeo que diz que o dinheiro já é dela, e é cobrada uma taxa antifraude de R$ 19,95, apresentada como prova de que o usuário não é um robô. O site ainda avisa que alertas de segurança do banco seriam efeito do grande volume de pagamentos da campanha, e diz que a taxa seria devolvida junto com o saldo.
Por que tanta gente acredita na pesquisa?
Porque o golpe monta prova social. O Comprova descreve perfis de pessoas aparentemente comuns contando que desconfiaram no início, mas participaram e receberam, com prints de depósitos altos. Nos comentários, outros perfis confirmam, agradecem e ensinam onde achar o link. Segundo a verificação, esses perfis se parecem entre si, foram criados há poucos meses, se identificam como mulheres e têm histórico de respostas em outros possíveis golpes do tipo.
O site soma a isso o saldo que cresce a cada resposta e o cronômetro, que, como aponta o Comprova, criam a expectativa de dinheiro já acumulado e um prazo para agir. Diante de R$ 830, uma taxa de R$ 19,95 parece pouco, e é justamente essa conta que o golpe quer que a pessoa faça.
Para quem vai o Pix da taxa?
Segundo o Comprova, o QR Code da taxa está registrado em nome de outra empresa, que não é a WePink, aberta em 16 de setembro de 2026 em Taguatinga, no Distrito Federal, e cujo endereço a verificação não conseguiu localizar. Não reproduzimos aqui o nome nem o CNPJ dessa empresa. O Comprova também registra relatos de usuários segundo os quais, depois da primeira taxa, novas cobranças aparecem, e ressalva que esses relatos não permitem afirmar que a sequência ocorre em todos os acessos.
O que disseram a WePink e a Meta?
A WePink informou ao Comprova que o caso foi encaminhado à equipe especializada e que está apurando e adotando as medidas cabíveis. A Meta, dona do Threads, afirmou que não permite atividades que visam enganar, fraudar ou explorar terceiros em suas plataformas e recomendou que os usuários denunciem esse tipo de conteúdo pelos próprios aplicativos.
O que isso significa para quem tem marca?
Que a marca vira isca sem ter feito nada. A falsa pesquisa usa o nome, as cores e a fama da empresa, e o cliente enganado associa a frustração a ela. Por isso vale a empresa dizer publicamente, antes que o golpe apareça, que não paga para responder pesquisa nem cobra taxa para liberar prêmio, e guardar as provas de cada perfil que usa o nome dela.
A mesma lógica aparece em outros casos de uso indevido de marca, como o da MAC e do Cartão Atacadão no Facebook, e em golpes que usam a identidade de pessoas, como o do perfil falso no Instagram com as fotos de outra pessoa. Se o golpe usa também o WhatsApp da empresa, veja o caso do número do atacadista de Natal.
O que fazer agora
Se você recebeu a oferta de pesquisa paga:
- Não pague nenhuma taxa para liberar prêmio. Segundo o Comprova, empresas legítimas não exigem depósito antecipado para liberar pagamentos ou produtos.
- Confira se a campanha existe nos canais oficiais da marca, como site, aplicativo e perfis verificados.
- Denuncie o perfil e a publicação pelo próprio aplicativo, como orienta a Meta.
Se você já pagou:
- Avise o seu banco imediatamente e peça a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução do Pix, o MED. O Comprova lembra que o pedido não garante a recuperação, mas que quanto mais rápida a comunicação, maiores as chances de bloqueio.
- Registre boletim de ocorrência e guarde prints, links, o comprovante e os dados de para quem o dinheiro foi.
Se a sua marca está sendo usada:
- Publique um aviso nos canais oficiais dizendo que a empresa não paga por pesquisa e não cobra taxa para liberar prêmio.
- Guarde print e link de cada perfil e site que usa o nome da empresa, com data.
- Denuncie cada perfil na plataforma e acompanhe a resposta.
Cada caso tem detalhes próprios, e isso pede análise individual.
Perguntas frequentes
A pesquisa da WePink que paga R$ 830 é verdadeira?
Não. O Projeto Comprova verificou que é golpe: o site imita a marca e cobra R$ 19,95 de taxa antifraude por Pix, e usuários relatam nunca ter recebido o valor.
Empresa cobra taxa para pagar prêmio de pesquisa?
Segundo o Comprova, empresas legítimas não exigem depósito antecipado para liberar pagamentos ou produtos. Cobrança para receber prêmio é sinal de golpe.
Paguei a taxa antifraude. O que fazer?
Avisar o banco na hora e pedir a devolução pelo MED do Pix, registrar boletim de ocorrência e guardar prints, links e o comprovante.
O que a WePink e a Meta disseram sobre o golpe?
A WePink disse que encaminhou o caso à equipe especializada. A Meta disse que não permite atividades para enganar ou fraudar e orientou denunciar pelo aplicativo.
Usaram o nome da minha marca numa pesquisa falsa. O que fazer?
Avisar nos canais oficiais que a empresa não paga por pesquisa, guardar as provas de cada perfil e site e denunciar na plataforma.
