O grupo oficial da pré-venda mandou um link falso, e o evento assumiu o prejuízo
Em 12/10/2026 um hacker usou a comunidade de WhatsApp da pré-venda da Churrascada Laguna para mandar links falsos. Veja o que houve e como se proteger.

Na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, por volta das 11h50, um hacker conseguiu publicar na comunidade de WhatsApp usada na pré-venda da Churrascada Laguna, em Santa Catarina, um espaço em que só os administradores podiam escrever, e divulgou links falsos de pagamento que levaram participantes a fazer compras fraudulentas, segundo a organização do evento ouvida pelo Sul Agora, pela Revista Única e pelo Portal Infosul em 13 de outubro. A organização informou que vai ressarcir quem não conseguir o estorno no banco, analisando caso a caso.
Escrevo sobre esse caso porque ele inverte a lógica que a maioria das pessoas usa para se proteger de golpe, que é desconfiar de mensagem que chega de número estranho, já que aqui o link veio do canal que o público tinha todos os motivos para considerar seguro. Li as três matérias para separar o que a organização contou do que ninguém informou até agora.
O que aconteceu no grupo da pré-venda?
Segundo os organizadores, o invasor mandou mensagens numa comunidade configurada para que só os administradores publicassem, que era justamente o lugar em que os participantes esperavam receber o link de compra, e divulgou ali links falsos de pagamento. O Sul Agora é o veículo que nomeia o WhatsApp com todas as letras, enquanto a Revista Única e o Portal Infosul falam em comunidade oficial de pré-venda, sem citar o aplicativo.
Nenhuma das três matérias diz quantas pessoas pagaram pelos links falsos, quanto foi perdido ou como o invasor conseguiu publicar num espaço restrito aos administradores, e por isso não afirmo aqui qual foi a falha, porque ela pode ter sido uma conta de administrador tomada, um aparelho comprometido ou outra coisa que só a apuração vai mostrar.
Por que os participantes não desconfiaram na hora?
Porque tudo no golpe parecia oficial, já que o link chegou no canal certo, no momento em que a venda era esperada e num espaço onde só a organização falava. Segundo os organizadores, os criminosos também conseguiram esconder as mensagens oficiais, o que dificultou perceber a fraude, e o problema só foi descoberto quando participantes procuraram a equipe do evento diretamente.
Esse detalhe mostra um ponto que vale para qualquer negócio que vende por grupo, porque o público aprende a confiar no canal, e não em cada mensagem, de modo que quem consegue falar por esse canal herda toda a credibilidade que a marca construiu ali. É o mesmo mecanismo do número de WhatsApp da empresa clonado, com a diferença de que, neste caso, o golpe nem precisou de um número parecido.
O que a organização prometeu a quem pagou?
A orientação divulgada foi pedir primeiro o estorno ao banco, e a organização informou que, se a devolução for negada, vai analisar cada caso individualmente e ressarcir quem tiver ficado com o prejuízo. Também disse que vai manter as condições promocionais da pré-venda para os afetados.
As matérias de 13 de outubro informaram ainda que uma nova etapa de vendas seria aberta dez dias depois, só pelos canais oficiais, numa edição de 10 anos do evento que já somava mais de 2 mil ingressos vendidos pela plataforma oficial. Até a data em que reli as fontes, não localizei notícia posterior sobre o andamento dos ressarcimentos ou sobre o registro de ocorrência.
Quem responde quando o golpe sai do canal oficial?
A organização decidiu assumir o prejuízo por conta própria, e essa decisão já resolve a situação de muitos compradores, mas a pergunta aparece em casos parecidos em que a empresa não toma a mesma atitude. O Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990, diz no artigo 14 que o fornecedor responde pelos danos causados por defeito na prestação do serviço, e considera defeituoso o serviço que não oferece a segurança que o consumidor pode esperar, o que abre a discussão sobre a segurança do canal que a própria empresa escolheu para vender. Do outro lado, o mesmo artigo afasta a responsabilidade quando a culpa é exclusiva do consumidor ou de terceiro, e é nesse ponto que cada caso se decide pelas provas.
Para quem foi enganado, o crime tem nome próprio, porque o Código Penal prevê no artigo 171, parágrafo 2º-A, a fraude eletrônica, cometida com informações fornecidas pela vítima induzida a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos, correio eletrônico fraudulento ou outro meio análogo, e o registro da ocorrência ajuda tanto na investigação quanto no pedido ao banco. Já escrevi sobre o caminho do estorno em golpe com link de pagamento e chargeback, que segue regras diferentes conforme o meio usado no pagamento.
O que fazer agora
Se você vende ingresso ou produto por grupo de WhatsApp, a prevenção começa antes da primeira venda e precisa estar combinada com o público desde o primeiro dia.
- Diga ao público onde o pagamento acontece, com o endereço da plataforma oficial fixado na descrição do grupo e repetido nos outros canais, para que qualquer link diferente chame atenção, o mesmo cuidado de conferir o endereço que explico no texto sobre site falso e como identificar.
- Mantenha poucas pessoas como administradoras e proteja essas contas com a verificação em duas etapas do WhatsApp e com cuidado sobre quem tem acesso aos aparelhos.
- Tenha um canal de reserva para avisos, como o Instagram ou o site do negócio, e use esse canal no primeiro sinal de mensagem estranha no grupo.
- Guarde prints com data e horário das mensagens falsas, dos links e dos contatos de quem foi enganado, antes que alguém apague o conteúdo.
- Registre a ocorrência e oriente os compradores a fazer o mesmo e a procurar o banco.
Se você pagou por um link falso, procure o banco ou a operadora do cartão o quanto antes, guarde o comprovante e o print da mensagem e registre o boletim de ocorrência. O resultado de cada pedido depende do meio de pagamento e das provas daquele caso, que precisam ser analisadas individualmente.
Perguntas frequentes
O que aconteceu na pré-venda da Churrascada Laguna?
Na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, por volta das 11h50, um hacker publicou links falsos de pagamento na comunidade de pré-venda do evento, em Santa Catarina, um espaço em que só os administradores podiam escrever. Segundo a organização, participantes fizeram compras fraudulentas por esses links.
Como o hacker conseguiu publicar no grupo?
Nenhuma das matérias publicadas em 13 de outubro de 2026 explica como o invasor conseguiu acesso. O Sul Agora, a Revista Única e o Portal Infosul relatam apenas que as mensagens saíram num espaço restrito aos administradores e que as publicações oficiais foram escondidas.
Quem pagou pelo link falso vai receber o dinheiro de volta?
A organização orientou os compradores a pedir primeiro o estorno ao banco e informou que vai ressarcir quem não conseguir a devolução, analisando caso a caso. Também disse que vai manter as condições da pré-venda para os afetados.
Como proteger um grupo de vendas no WhatsApp?
Deixe claro desde o início qual é o endereço oficial de pagamento, mantenha poucas pessoas como administradoras, ative a verificação em duas etapas nessas contas e tenha outro canal oficial para avisar o público se algo estranho aparecer no grupo.
Link falso enviado por grupo de WhatsApp é crime?
O Código Penal prevê no artigo 171, parágrafo 2º-A, a fraude eletrônica, que é o estelionato cometido com informações obtidas da vítima enganada por redes sociais, contatos telefônicos, correio eletrônico fraudulento ou outro meio análogo. O registro da ocorrência é o primeiro passo para a investigação.
Fontes
- Sul Agora, 13/10/2026
- Revista Única, 13/10/2026
- Portal Infosul, 13/10/2026
- Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990, artigo 14
- Código Penal, Decreto-Lei 2.848/1940, artigo 171, parágrafo 2º-A
