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7 min de leitura

Cinco depósitos de R$ 4.999,95 numa lotérica de Rio Preto, e o falso técnico da Caixa dizia que era só uma simulação

Um falso técnico da Caixa fez a operadora de uma lotérica de Rio Preto pagar dois boletos e fazer cinco depósitos como teste. Prejuízo: cerca de R$ 19 mil.

Balcão de uma lotérica pela manhã visto por trás do vidro, com uma operadora de caixa de camisa polo azul segurando o celular perto do terminal de pagamento, pilhas de volantes em branco e a gaveta do caixa fechada sob luz fluorescente

No golpe da falsa atualização bancária, o criminoso se apresenta como técnico do banco e pede ao funcionário que faça depósitos e pague boletos de verdade, dizendo que tudo é só um teste do sistema. Foi o que aconteceu na manhã de 8 de outubro de 2026 numa lotérica no centro de São José do Rio Preto, segundo a Gazeta do Interior e o Ethos Mais, ambos de 9 de outubro: uma operadora de caixa pagou dois boletos de R$ 2 mil e fez cinco depósitos de R$ 4.999,95, e a lotérica ficou com prejuízo de cerca de R$ 19 mil.

Escrevo sobre golpe contra empresa quase toda semana, e o que chama atenção neste caso é que ninguém pediu senha nem token. A própria funcionária, no próprio terminal, fez as operações, porque acreditou que nada seria registrado. Já tratei de uma falsa funcionária do banco que pediu os tokens do aplicativo com a desculpa de atualizar o cadastro, e aqui a desculpa é parecida, mas o caminho do dinheiro é outro.

Como o golpe da falsa atualização bancária aconteceu na lotérica?

Segundo o Ethos Mais, que relata o boletim de ocorrência, a lotérica recebeu primeiro um e-mail supostamente enviado pela Caixa Econômica Federal sobre o procedimento, e em seguida a gerente avisou uma operadora de caixa de 45 anos que um representante do banco entraria em contato para orientar a atualização do sistema. Pouco depois a funcionária passou a receber mensagens de um homem que se identificou como o responsável pelo procedimento, perguntou quantos terminais havia na loja e pediu o número de identificação de um deles.

Só então vieram os pedidos de dinheiro: dois boletos de R$ 2 mil cada e cinco depósitos de R$ 4.999,95 cada. Para convencer a funcionária, ele disse que os depósitos não seriam registrados de fato, que mandaria números de protocolo para o cancelamento depois e que tudo não passava de uma simulação.

Por que a funcionária acreditou que era um teste?

Porque o contato chegou em etapas, e cada etapa preparava a seguinte. O e-mail com a cara do banco criou o assunto, o aviso da própria gerente deu ao contato a autoridade de alguém de dentro, e as perguntas técnicas sobre terminais fizeram a conversa parecer uma manutenção de verdade. Quando o pedido de depósito chegou, ele parecia a continuação natural de algo que a chefe já tinha anunciado.

A promessa de protocolo para cancelar cada operação é a peça que fecha o golpe, porque tira do funcionário a sensação de risco. Quem acha que o valor vai voltar não sente que está mandando dinheiro embora.

O que o banco conseguiu recuperar?

Segundo o boletim, a funcionária desconfiou no meio das operações e ligou para a gerente pelo telefone de uma colega, e a gerente mandou desligar na hora, mas as transações já estavam concluídas. A gerente procurou o banco, que conseguiu bloquear dois dos cinco depósitos. Os outros três, que somavam R$ 14.999,85, não puderam ser bloqueados.

Os dois boletos, que somavam R$ 4 mil, foram contestados, mas até o registro do boletim a Caixa não havia informado se a contestação teria sucesso ou se havia como recuperar os valores. As duas reportagens falam em prejuízo de cerca de R$ 19 mil, e esse número pode mudar se os boletos forem devolvidos. Até 23 de outubro de 2026, quando conferi, não localizei notícia de suspeito identificado nem de devolução.

Por que esse golpe mira quem opera caixa?

Lotérica, loja e qualquer empresa com terminal de pagamento têm uma rotina de operações rápidas e repetidas, e o funcionário do caixa está acostumado a receber orientação do banco ou do correspondente sobre sistema. O golpista usa justamente essa rotina, porque um pedido de "teste" soa como mais uma tarefa do dia, e não como uma transferência para um desconhecido.

O valor também não é aleatório. Cada depósito ficou poucos centavos abaixo de R$ 5 mil, e as reportagens não explicam o motivo, então não afirmo qual seria. O que dá para dizer é que cinco valores iguais e quebrados, pedidos em sequência como teste, são um padrão que a equipe pode aprender a reconhecer.

Quem responde pelo prejuízo?

O que a polícia registra é estelionato, crime previsto no artigo 171 do Código Penal, que é obter vantagem induzindo alguém a erro por meio fraudulento. A investigação busca quem recebeu o dinheiro, e as contas de destino dos depósitos são o ponto de partida.

Já a pergunta sobre quem arca com o prejuízo entre a lotérica, o banco e as contas que receberam os valores não tem resposta pronta. Depende de como o e-mail chegou, de quem avisou a gerente, do contrato da lotérica com o banco e do tempo entre a desconfiança e o pedido de bloqueio, e nada disso está nas reportagens. O que o caso mostra é que o contato rápido com o banco fez diferença, porque dois depósitos foram travados.

O que fazer agora

Comece pelo primeiro item, porque é ele que corta o golpe antes do primeiro depósito.

  1. Combine com a equipe que pedido de depósito ou pagamento de teste é sinal de golpe. Atualização de sistema não exige mandar dinheiro de verdade para conta nenhuma.
  2. Confirme qualquer aviso de atualização pelo telefone oficial que você já conhece, e não pelo número, e-mail ou link que veio na própria mensagem. Vale também para o aviso que chega por um colega ou pela gerência.
  3. Defina quem pode autorizar operação fora da rotina e deixe isso escrito, para que o funcionário do caixa tenha a quem perguntar antes de agir, e não depois.
  4. Se o dinheiro já saiu, avise o banco na hora, peça o bloqueio de cada operação e anote o horário, o nome de quem atendeu e o número do protocolo.
  5. Guarde tudo: o e-mail, as mensagens, os comprovantes dos depósitos e dos boletos, e registre o boletim de ocorrência. O mesmo cuidado aparece no golpe do falso diretor que pediu transferência ao financeiro e no golpe da falsa central do banco.

O que acontece em cada caso depende dos documentos e da sequência dos fatos, que precisam ser analisados individualmente.

Perguntas frequentes

O que é o golpe da falsa atualização bancária?

É o golpe em que alguém se passa por técnico ou representante do banco, avisa de uma atualização do sistema e pede ao funcionário que faça depósitos ou pague boletos dizendo que são simulações. Em Rio Preto, em 8 de outubro de 2026, uma lotérica teve prejuízo de cerca de R$ 19 mil assim.

Quanto a lotérica de Rio Preto perdeu?

A funcionária pagou dois boletos de R$ 2 mil e fez cinco depósitos de R$ 4.999,95. O banco bloqueou dois depósitos, três que somavam R$ 14.999,85 não puderam ser bloqueados e os boletos foram contestados, num prejuízo de cerca de R$ 19 mil segundo as reportagens de 9 de outubro de 2026.

Banco pede depósito de teste para atualizar o sistema?

Nas reportagens sobre o caso de Rio Preto, o pedido de depósito como simulação foi justamente o que caracterizou o golpe. Qualquer pedido de mandar dinheiro de verdade para testar sistema deve ser confirmado pelo telefone oficial do banco antes de qualquer operação.

O que fazer se o funcionário já fez os depósitos?

Avisar o banco na hora e pedir o bloqueio de cada operação, porque em Rio Preto o contato da gerente com o banco travou dois dos cinco depósitos. Depois, guardar mensagens e comprovantes e registrar o boletim de ocorrência.

Os boletos pagos no golpe podem ser recuperados?

No caso de Rio Preto, os boletos foram contestados, mas até o registro do boletim a Caixa não havia informado se haveria recuperação. O resultado depende de cada operação e do tempo entre o pagamento e a contestação.

Fontes

Conteúdo informativo. Não constitui consulta nem parecer jurídico, e não substitui a análise individual do seu caso. O processo é atividade de meio: nenhuma medida garante resultado específico.

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