Anunciaram a morte de Ary Fontoura no Facebook, e o botão da publicação levava a uma página de vendas
Páginas no Facebook anunciaram a morte do ator Ary Fontoura, de 93 anos, com foto e data inventada, e o botão levava a uma página de vendas. Veja o que fazer.

Notícia de morte de famoso com botão de compra embaixo é isca de golpe, e o caso do ator Ary Fontoura mostra como ela funciona. Em 28 de setembro de 2026, o ator de 93 anos publicou um vídeo no Instagram contando que páginas no Facebook anunciavam a morte dele com a foto dele e uma data inventada, e, segundo o jornal O Povo, quem clicava no botão da publicação era levado a uma página de vendas, que era o objetivo real da fraude.
Escrevo sobre isso porque o mesmo mecanismo aparece, em escala menor, com quem vive da própria imagem nas redes, seja artista, criador de conteúdo ou dono de marca. Li a cobertura do O Povo, da Folha de Pernambuco, que publicou texto do Estadão Conteúdo, e do O Liberal para separar o que o ator disse do que ainda não se sabe.
O que aconteceu com a falsa notícia da morte de Ary Fontoura?
Segundo a Folha de Pernambuco, o ator contou no vídeo que estavam anunciando a morte dele no Facebook, que tinham colocado a foto dele e inventado até uma data, e o O Povo informa que a publicação indicava 9 de setembro de 2026 como o dia da suposta morte. No mesmo vídeo ele disse que está vivo e bem e classificou a prática como uma falta de respeito.
O ponto que transforma o boato em golpe está no que vinha depois do clique, porque, de acordo com o O Povo, ao apertar o botão da publicação o usuário caía numa página de vendas. Nenhuma das três matérias diz o nome das páginas nem o que elas vendiam, e por isso não escrevo sobre isso.
Por que os golpistas usam a morte de alguém famoso?
Porque a notícia de morte faz a pessoa clicar antes de pensar, e o rosto de alguém querido empresta à página uma confiança que ela não tem, o que junta curiosidade e credibilidade numa mesma publicação. O próprio ator explicou, segundo a Folha de Pernambuco, que essas páginas usavam a imagem dele e informações inventadas para chamar a atenção dos usuários e depois levá-los a páginas de vendas, e o O Liberal registrou a mesma explicação, com perfis direcionando o público a páginas comerciais.
Uma seguidora escreveu nos comentários do vídeo que já tinha visto o mesmo com vários outros artistas, o que indica que o caso não é isolado, embora nenhuma das fontes traga um levantamento de quantas vezes isso aconteceu.
Quem sai prejudicado além do famoso?
O estrago começa pela família, e o ator lembrou o susto que a família, os amigos e quem gosta dele poderiam levar ao ver aquilo. Depois vem quem clica, que entra numa página de vendas achando que está lendo uma notícia e pode comprar de quem não tem compromisso nenhum com a entrega.
E há um terceiro prejuízo, mais silencioso, que é o da reputação de quem teve o rosto usado, porque o público passa a associar aquela imagem a uma página que engana. Já escrevi sobre o golpe que usou o nome de marcas conhecidas no Facebook, e a lógica é a mesma, porque o golpista aluga a confiança que outra pessoa construiu.
O que o ator fez e o que a Meta respondeu?
Ary Fontoura pediu aos seguidores que denunciassem publicações parecidas e marcou a Meta, empresa dona do Facebook, com a frase "Meta, me ajuda aí", segundo a Folha de Pernambuco. O O Povo acrescenta que, na legenda do vídeo, ele cobrou da empresa uma resposta ao problema.
Nenhuma das matérias traz resposta da Meta, e até 23 de outubro de 2026, quando conferi, não localizei manifestação da empresa nem notícia de que as páginas tenham sido identificadas.
Usar a foto de alguém para vender é permitido?
Não sem autorização. O Código Civil, Lei 10.406/2002, diz no artigo 20 que a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa pode ser proibida a seu requerimento, sem prejuízo da indenização que couber, se atingir a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinar a fins comerciais. Anunciar a morte de alguém vivo para levar o público a uma página de vendas reúne, na nossa leitura, as duas hipóteses do artigo, porque usa a imagem para vender e associa a pessoa a uma notícia falsa.
Isso não define o resultado de nenhum caso, que sempre depende de quem publicou, do que ficou registrado e de como a plataforma reagiu depois de avisada. Já comentei aqui o caso de um perfil falso com as fotos de um jogador no Instagram, em que a Justiça mandou suspender o perfil antes do fim do processo.
O que fazer agora
Se o seu rosto ou o seu nome aparece numa página que você não criou, a ordem dos passos importa, porque a página pode sumir antes de você registrar o que ela mostrava.
- Guarde link, print e data de cada publicação, com o endereço da página aparecendo na tela, antes de qualquer denúncia.
- Registre o caminho do botão, com print da página de vendas para onde ele leva, porque é isso que mostra o uso comercial.
- Denuncie pelo próprio aplicativo, como pediu o ator, e guarde o comprovante ou o print da denúncia enviada.
- Avise o seu público nos canais oficiais, dizendo que a página não é sua, como Ary Fontoura fez no vídeo.
- Veja também o que fazer quando um anúncio falso usa o vídeo do seu negócio, que segue a mesma lógica de prova.
Para quem está do outro lado da tela, notícia de morte com botão de compra embaixo é motivo para desconfiar antes de clicar, e o mais seguro é procurar a informação no perfil oficial da pessoa ou num veículo de imprensa conhecido.
Perguntas frequentes
Ary Fontoura morreu?
Não. Em vídeo publicado no Instagram em 28 de setembro de 2026, o ator, de 93 anos, disse que está vivo e bem e desmentiu as publicações que anunciavam a morte dele no Facebook, segundo a Folha de Pernambuco e o O Liberal.
Qual era o objetivo das publicações falsas?
Segundo o O Povo, quem clicava no botão da publicação era levado a uma página de vendas, que era o objetivo real da fraude. O próprio ator explicou que as páginas usavam a imagem dele e informações inventadas para atrair cliques.
Que data a publicação falsa indicava?
O O Povo informa que a publicação fraudulenta indicava 9 de setembro de 2026 como a data da suposta morte do ator.
A Meta respondeu ao caso?
Nenhuma das matérias consultadas traz resposta da Meta. Até 23 de outubro de 2026 não localizei manifestação da empresa sobre as páginas.
O que fazer se uma página usa a minha foto para vender?
Guarde link, print e data da publicação e da página de vendas, denuncie pelo próprio aplicativo e avise o seu público nos canais oficiais. O artigo 20 do Código Civil trata do uso da imagem para fins comerciais sem autorização, e cada caso depende das provas reunidas.
